VENDAS E VENDEIROS
Local destinado a comentar, valorizar e divulgar a História Local, e seus amplos assuntos correlatos tais como pequenos comércios, sociabilidade, costumes, fatos históricos e pitorescos, arquitetura e demais assuntos locais.
30 de janeiro de 2026
9 de agosto de 2023
SEU VALDIR O PIPOQUEIRO MAIOR DE FLORIPA
Florianópolis é uma cidade onde
as belezas naturais, com suas montanhas, lagoas e praias maravilhosas admiradas
em todo o Brasil e também em boa parte do mundo, roteiro turístico para pessoas
das mais diversas posições financeiras, também tem outro bem a ser admirado e
muito, que são as pessoas que aqui moram e trabalham.
E por falar em trabalho, vou
comentar aqui sobre o Seu Valdir pipoqueiro a 55 anos na cidade que atua em
todos os eventos importantes da cidade ou mesmo no dia a dia com o seu carrinho
multicolorido oferecendo as suas pipocas com um bordão mais do que conhecido na
cidade que é “pipoca quentinha salgada e doce”.
Nos jogos de futebol o seu Valdir
é presença fundamental e como ele me falou recentemente hoje ele não vai mais
no Figueirense e somente no estádio do Avaí seu time do coração, mas seus
familiares vão em todos os eventos tendo em vista que ele criou os filhos e
hoje a família filha e genro também estão no ramo da pipoca.
Igualmente a outros personagens
típicos da cidade como a Lurdes da loteria, o “Senador” Alcides Ferreira, e demais
profissionais típicos manézinhos da ilha igual a Aldírio Simões, Roberto Alves
e Miguel Livramento este que recentemente nos deixou o Seu Valdir com certeza
está inserido nos mesmo ambiente de personagens que não devem ser esquecidos.
Nesses 55 anos vendendo pipoca no
centro de Florianópolis, Seu Valdir com certeza acompanhou grandes mudanças na
cidade e consegue manter um grande sorriso de satisfação pelo seu ofício e se
sente muito orgulhoso do trabalho que faz.
Eu pessoalmente sou fascinado por
histórias de pessoas que tem como seu objetivo a condução de seus Pequenos
Comércios, onde a proximidade com as pessoas da cidade ou da localidade que
estão inseridos, dão um caráter mais pessoal e próximo daqueles que como
fregueses consomem os seus produtos.
Grande abraço a todos.
Paulo Coelho – Florianópolis – SC
09/08/2023
4 de agosto de 2023
22 de outubro de 2022
FRANKLIN CASCAES - OUTROS OLHARES
FRANKLIN CASCAES
outros olhares
Franklin Cascaes: outros olhares / Org. Hermes José Graipel
Junior. Florianópolis: Fundação Franklin Cascaes, 2011. 192 p.il.
Em 22 de outubro de 2022, terminei a leitura do meu 15º
livro do ano, organizado por Hermes José Graipel Júnior na verdade é um livro
escrito a sete mãos, pois traz textos de sete autores diferentes sobre a obra
de Franklin Cascaes.
A partir de estudos da enorme e profunda obra deixada por
Franklin Cascaes os autores a seguir: Aline Carmes Krüger, Carmen Lucia
Fossari, Cristina Castellano, Hermes José Graipel Júnior, Jone Cezar Araújo,
Luciane Zanenga Scherer e Vanilde Rohling Guizoni nos apresentam um relato
cuidadosamente aprofundado sobre suas visões e conhecimentos referentes a
produção artística e historiográfica de Franklin Cascaes. Todos os autores são
de atividades diversas, porém correlatas com a cultura e a preservação cultural
em sí, como museólogos, historiadores, artistas plásticos, atriz/dramaturga e
roteirista.
Com base nos materiais temáticos da obra do autor já citado
os autores nos apresentam suas visões e preocupações quanto a destruição de muitos
saberes e fazeres, bem como do patrimônio natural e arquitetônico de
Florianópolis principalmente devido ao avanço sem controle da especulação
imobiliária que tem trazido um grande número de novos moradores e
empreendimentos para a cidade provocando uma profunda descaracterização da
mesma.
Temas e fotografias sobre as procissões do Senhor Morto e
Senhor dos Passos, Bruxas, Presépios, trabalhadores das mais diversas
atividades e lidas diárias como rendeiras, danças e folguedos, são ricamente
ilustrados junto ou após os textos.
Franklin Cascaes, foi um incansável lutador para a
preservação da nossa cultura açoriana e também do estilo de vida e
arquitetônico de Florianópolis e inclusive pode observar pessoalmente esse
estilo aqui com os dos nossos irmãos nas Ilhas dos Açores em Portugal. Comidas,
danças, indústrias (engenhos) e atividades ligadas a agricultura e suas
manufaturas como plantar mandioca e fazer farinha e outros derivados, plantar
algodão e usar tear para confeccionar roupas, a pesca artesanal e seu
processamento.
Um grande sonho de Franklin Cascaes, sempre foi como
preservar adequadamente para as futuras gerações a sua produção que é formada
de elementos dos mais diversos tais como cerâmica, madeira, gesso, textos,
pinturas sobre papel em formatos e materiais dos mais distintos, cadernos de
anotações, gravações realizadas com a população simples das localidades mais
interioranas de Florianópolis ao longo de décadas de produção.
Após muitas incertezas Cascaes ainda pode realizar em vida
este sonho e todo o seu enorme acervo se encontra sobre a guarda do Museu
Oswaldo Rodrigues Cabral ou Museu Universitário da UFSC conforme é conhecido.
Após a cessão do acervo para o museu veio uma nova preocupação que foi a
catalogação, restauração e armazenamento de forma adequada das peças tendo em
vista a fragilidade de muitas devido ao estado de conservação e deterioração
que se apresentavam.
Acredito que todo mestre bom e que se preze possa e deva
deixar um discípulo para dar sequência a sua obra e nesse caso o sucessor foi o
competentíssimo Gelcy José Coelho ou o Peninha como todos os conhecemos. O
Peninha foi tão envolvido com a obra de Franklin Cascaes que nem precisou ele
fazer um texto para esse livro pois foi citado por todos que o escreveram e
principalmente sobre uma entrevista que ele fez com Franklin Cascaes se não me
engano em sua Dissertação de Mestrado.
Eu tive o prazer de fotografar no final dos anos 80 no
Teatro do CIC (Centro Integrado de Cultura) uma peça chamada CASCAES de uma das
autoras desse livro Carmen Lucia Fossari e tinha deixado uns quadros lá no
museu e quando do aniversário do centenário de Cascaes o Peninha me localizou e
eu fiz uma doação para o Museu Universitário dos negativos referentes as fotos
dessa peça.
Sempre que encontro alguma referência ou livro sobre
Franklin Cascaes e sua obra procuro me inteirar sobre o assunto, eu sou
fascinado pela obra desse grande gênio das artes e das tradições açorianas que
nós tivemos o prazer de ter como morador dos mais ilustres de Florianópolis.
Muito mais poderia aqui comentar sobre esse livro, e seus
temas abordados, mas como procuro deixar claro nesse espaço é somente um breve
comentário em forma de resumo sobre o mesmo
Recomendo a leitura não somente desse livro como os demais
por e sobre ele escritos.
Grande abraços à
todos.
Paulo Coelho –
Administrador/Bacharel e Licenciado em História.
Florianópolis –
SC 22/10/2022.
22 de setembro de 2022
FLORIANÓPOLIS MEMÓRIA URBANA
FLORIANÓPOLIS MEMÓRIA URBANA
Florianópolis: Memória
Urbana/Eliane Veras da Veiga – 3. Ed. Florianópolis: Fundação Franklin Cascaes,
2010. 464p.: Il
No dia 17 de setembro de 2022,
terminei a leitura do meu 13º livro do ano, de Eliane Veras da Veiga que já
está referenciado acima, e tem como foco suas pesquisas a partir de documentos
históricos que por sinal foram bem preservados no Estado de Santa Catarina e
também sua formação em Arquitetura, referentes a transformação da cidade de
Florianópolis em sua área central.
Um livro de grande importância
que já está na sua terceira edição atualizada, que nos apresenta a cidade desde
os primórdios de sua formação no século XVII até os dias atuais. Com a
utilização de mapas antigos sobrepostos com mapas mais modernos podemos
observar como o arruamento da cidade e seus principais edifícios foram se
modificando, preservando ou sendo destruídos ao longo dos séculos.
Por ser uma ilha com limitações
de espaço devido as baias norte e sul e também seus morros próximos o centro da
cidade foi se moldando contornando essas características, e quando isso não
mais foi possível foram realizados grandes aterros, esses já iniciados no
século XIX como por exemplo o aterro da atual Avenida Hercílio Luz em direção
ao morro da Menino Deus onde se encontra o Hospital de Caridade e sua
centenária capela.
Como podemos verificar os aterros
foram um dos fatores que intensificaram e deram a cidade vários eixos de
ligação entre as baías permitindo uma série de ligações que até então não seriam
possíveis. Em muitos casos os aterros também serviram como local de recebimento
de terras onde eram nivelados determinados morros existentes no centro da
cidade, como no caso do alto da atual Rua Felipe Schmidt.
Como ao longo dos anos várias
ruas importantes da cidade tiveram seus nomes primitivos trocados e até mais de
uma vez, não vou neste breve resumo fazer citação aos antigos nomes, tendo em
vista que isto está muito bem explicado e apresentado no livro. E realmente o
processo de arruamento da cidade foi uma atividade bem complexa pois no centro
da cidade existiam diversas propriedades conhecidas como chácaras que
pertenciam aos poderosos da cidade e nem sempre era possível fazer isso de
forma amigável mesmo que esses fossem religiosos também.
A antiga Desterro atual
Florianópolis de formação portuguesa com suas diversas ordem religiosas, foi ao
longo dos tempos construindo suas igrejas e seus prédios públicos,
principalmente os voltados a área militar que ficavam no centro da cidade,
também procuraram manter o estilo português durante longo tempos. Conforme a
cidade se desenvolveu mudanças arquitetônicas também passaram a ser feitas
visando o conforto e demonstrando o padrão social de seus usuários.
O eixo fundador da cidade tem
como seu Marco Zero a atual Praça XV de Novembro, que vinha até o mar e teve
também uma parte aterrada e por ser próxima aos centros comerciais e
administrativos, um enorme adensamento populacional se formou no seu entorno e
foi crescendo em direção aos antigos bairros que eram muito bem definidos de
acordo com a posição social dos que nestes habitavam.
Hoje no século XXI uma grande
área do centro da cidade é denominada como centro, mas até boa parte do XX
existiam várias denominações para esses lugares como Estreito para a área mais
próxima da Ponte que inclusive tinha o cemitério no seu interior, o bairro da
Figueira ou Rita Maria nas áreas onde temos a atual rodoviária, a Praia de Fora
para a atual Beiramar norte, o Santa Bárbara para a atual sede da Capitania dos
Portos, o Mato Grosso para o entorno da atual Praça Getúlio Vargas e vários
outros .
Sendo Desterro (atual Florianópolis)
um porto de boa qualidade muitos dos prédios foram edificados com a finalidade
comercial e de armazenamento como por exemplo o Mercado Municipal, a Alfândega,
alguns estaleiros que já não existem mais alguns trapiches e inclusive o
Restaurante e Bar Miramar que foi destruído junto como aterro hidráulico
realizado na década de 1970 para a construção da Ponte Colombo Salles.
Fica muito bem claro no livro
como o processo de alargamento e interligação das ruas e avenidas foram
realizadas visando um transporte sobre rodas que começou com bondes puxados a
burro e depois com os automóveis. Para que essas ruas e avenidas fossem abertas
ou alargadas inúmeros córregos e fontes de água foram drenados ou canalizados.
E nesse processo também já começa o serviço mesmo que de forma precária por
crônicas deficiências de recursos que a província e a câmara municipal
dispunham.
Outro fator que me chamou atenção
é que tínhamos uma burocracia relativamente preocupada com o orçamento e uso do
dinheiro público, tendo em vista que uma quantidade grande de obras que ainda
temos hoje tiveram seus pregões e orçamentos aprovados previamente para a sua
realização para evitar desperdício de recursos.
O livro em questão além de nos
contemplar com fatos históricos, administrativos, sociais e urbanísticos ainda
nos contempla com uma quantidade enorme de fotos de vias e prédios públicos e
residenciais e também muitos mapas.
Como normalmente falo nos meus
pequenos resumos que procuro apresentar após a leitura de cada livro, este não
é um espaço para textos muito longos então sugiro à todos os que se interessam
pelo assunto que é como Desterro chegou a Florianópolis com todas as suas mudanças,
evoluções e transformações, sugiro e recomento a leitura desse importante livro
sobre a nossa cidade
Grande abraços à todos.
Paulo Coelho –
Administrador/Bacharel e Licenciado em História.
Florianópolis – SC 22/09/2022.
22 de agosto de 2022
FEIRAS LIVRES, COMÉRCIO POPULAR DE PAI PARA FILHO
FEIRAS LIVRES
Falar de feira livre, para mim é como falar de um projeto de família que deu certo, desde muito tempo eu sou fascinado por esse tipo de comércio, que foge a lógica dos grandes supermercados, shopping centers e até do comércio eletrônico.
Por milênios compramos em feiras livres até porque no início do comércio era a melhor forma de apresentar seus produtos para venda ou na ausência do dinheiro para trocas por meio de escambo mesmo.
Na feira livre podemos comprar fracionado o que quisermos, ver os produtos a granel ou em peças, sentir seus cheiros e admirar suas cores livres das "maquiagens" digitais realizadas em folders ou encartes de grandes redes de supermercados ou grandes varejistas.
Acredito que com o apoio adequado, e cumprindo normas sanitárias determinadas pelos órgãos públicos, ainda teremos esse modelo de negócio por muito tempo. Inúmeras pessoas não somente por saudosismo, ainda preferem comprar suas frutas, seus temperos, produtos coloniais ou industrializados em pequena escala nas feiras livres.
Deixo aqui os melhores votos de vida longa para os que ainda persistem nesse modelo de negócio.
Paulo Coelho - Florianópolis - SC Fotos Paulo Coelho - Feira do Largo da Alfândega 20/08/2022.
13 de agosto de 2022
UMA RESISTENTE REVISTARIA EM FLORIANÓPOLIS
Sabe aquele local que te traz tanta lembrança boa que até parece a casa da vó?
Ele existe e nesse caso vem em nome de uma Banca de Revista uma das poucas sobreviventes ao mundo do comércio eletrônico ou de Shopping Center na nossa cidade capital.
Na Banca Joreli na Rua Tiradentes eu comprei os meus primeiros livros lá no final da década de 1970, hábito esse que não parei nunca.
Lembro do Seu Nereu sempre oferecendo uma novidade ou reservando uma revista de fotografia que eu comprava mensalmente.
É com muito prazer que apresento a Banca Joreli para os que não a conhecem e também para os que conheceram matarem um pouco da saudade e quem sabe voltar a ver alguma novidade literária ou de alguma revista em especial.
Vida longa aos pequenos comércios tradicionais.
Grande abraço à todos.
Paulo Coelho Florianópolis SC 13/08/2022.
Revistaria Joeli - Foto Paulo Coelho - 13/08/2022


