Local destinado a comentar, valorizar e divulgar a História Local, e seus amplos assuntos correlatos tais como pequenos comércios, sociabilidade, costumes, fatos históricos e pitorescos, arquitetura e demais assuntos locais.
30 de janeiro de 2026
9 de agosto de 2023
SEU VALDIR O PIPOQUEIRO MAIOR DE FLORIPA
Florianópolis é uma cidade onde
as belezas naturais, com suas montanhas, lagoas e praias maravilhosas admiradas
em todo o Brasil e também em boa parte do mundo, roteiro turístico para pessoas
das mais diversas posições financeiras, também tem outro bem a ser admirado e
muito, que são as pessoas que aqui moram e trabalham.
E por falar em trabalho, vou
comentar aqui sobre o Seu Valdir pipoqueiro a 55 anos na cidade que atua em
todos os eventos importantes da cidade ou mesmo no dia a dia com o seu carrinho
multicolorido oferecendo as suas pipocas com um bordão mais do que conhecido na
cidade que é “pipoca quentinha salgada e doce”.
Nos jogos de futebol o seu Valdir
é presença fundamental e como ele me falou recentemente hoje ele não vai mais
no Figueirense e somente no estádio do Avaí seu time do coração, mas seus
familiares vão em todos os eventos tendo em vista que ele criou os filhos e
hoje a família filha e genro também estão no ramo da pipoca.
Igualmente a outros personagens
típicos da cidade como a Lurdes da loteria, o “Senador” Alcides Ferreira, e demais
profissionais típicos manézinhos da ilha igual a Aldírio Simões, Roberto Alves
e Miguel Livramento este que recentemente nos deixou o Seu Valdir com certeza
está inserido nos mesmo ambiente de personagens que não devem ser esquecidos.
Nesses 55 anos vendendo pipoca no
centro de Florianópolis, Seu Valdir com certeza acompanhou grandes mudanças na
cidade e consegue manter um grande sorriso de satisfação pelo seu ofício e se
sente muito orgulhoso do trabalho que faz.
Eu pessoalmente sou fascinado por
histórias de pessoas que tem como seu objetivo a condução de seus Pequenos
Comércios, onde a proximidade com as pessoas da cidade ou da localidade que
estão inseridos, dão um caráter mais pessoal e próximo daqueles que como
fregueses consomem os seus produtos.
Grande abraço a todos.
Paulo Coelho – Florianópolis – SC
09/08/2023
4 de agosto de 2023
22 de outubro de 2022
FRANKLIN CASCAES - OUTROS OLHARES
FRANKLIN CASCAES
outros olhares
Franklin Cascaes: outros olhares / Org. Hermes José Graipel
Junior. Florianópolis: Fundação Franklin Cascaes, 2011. 192 p.il.
Em 22 de outubro de 2022, terminei a leitura do meu 15º
livro do ano, organizado por Hermes José Graipel Júnior na verdade é um livro
escrito a sete mãos, pois traz textos de sete autores diferentes sobre a obra
de Franklin Cascaes.
A partir de estudos da enorme e profunda obra deixada por
Franklin Cascaes os autores a seguir: Aline Carmes Krüger, Carmen Lucia
Fossari, Cristina Castellano, Hermes José Graipel Júnior, Jone Cezar Araújo,
Luciane Zanenga Scherer e Vanilde Rohling Guizoni nos apresentam um relato
cuidadosamente aprofundado sobre suas visões e conhecimentos referentes a
produção artística e historiográfica de Franklin Cascaes. Todos os autores são
de atividades diversas, porém correlatas com a cultura e a preservação cultural
em sí, como museólogos, historiadores, artistas plásticos, atriz/dramaturga e
roteirista.
Com base nos materiais temáticos da obra do autor já citado
os autores nos apresentam suas visões e preocupações quanto a destruição de muitos
saberes e fazeres, bem como do patrimônio natural e arquitetônico de
Florianópolis principalmente devido ao avanço sem controle da especulação
imobiliária que tem trazido um grande número de novos moradores e
empreendimentos para a cidade provocando uma profunda descaracterização da
mesma.
Temas e fotografias sobre as procissões do Senhor Morto e
Senhor dos Passos, Bruxas, Presépios, trabalhadores das mais diversas
atividades e lidas diárias como rendeiras, danças e folguedos, são ricamente
ilustrados junto ou após os textos.
Franklin Cascaes, foi um incansável lutador para a
preservação da nossa cultura açoriana e também do estilo de vida e
arquitetônico de Florianópolis e inclusive pode observar pessoalmente esse
estilo aqui com os dos nossos irmãos nas Ilhas dos Açores em Portugal. Comidas,
danças, indústrias (engenhos) e atividades ligadas a agricultura e suas
manufaturas como plantar mandioca e fazer farinha e outros derivados, plantar
algodão e usar tear para confeccionar roupas, a pesca artesanal e seu
processamento.
Um grande sonho de Franklin Cascaes, sempre foi como
preservar adequadamente para as futuras gerações a sua produção que é formada
de elementos dos mais diversos tais como cerâmica, madeira, gesso, textos,
pinturas sobre papel em formatos e materiais dos mais distintos, cadernos de
anotações, gravações realizadas com a população simples das localidades mais
interioranas de Florianópolis ao longo de décadas de produção.
Após muitas incertezas Cascaes ainda pode realizar em vida
este sonho e todo o seu enorme acervo se encontra sobre a guarda do Museu
Oswaldo Rodrigues Cabral ou Museu Universitário da UFSC conforme é conhecido.
Após a cessão do acervo para o museu veio uma nova preocupação que foi a
catalogação, restauração e armazenamento de forma adequada das peças tendo em
vista a fragilidade de muitas devido ao estado de conservação e deterioração
que se apresentavam.
Acredito que todo mestre bom e que se preze possa e deva
deixar um discípulo para dar sequência a sua obra e nesse caso o sucessor foi o
competentíssimo Gelcy José Coelho ou o Peninha como todos os conhecemos. O
Peninha foi tão envolvido com a obra de Franklin Cascaes que nem precisou ele
fazer um texto para esse livro pois foi citado por todos que o escreveram e
principalmente sobre uma entrevista que ele fez com Franklin Cascaes se não me
engano em sua Dissertação de Mestrado.
Eu tive o prazer de fotografar no final dos anos 80 no
Teatro do CIC (Centro Integrado de Cultura) uma peça chamada CASCAES de uma das
autoras desse livro Carmen Lucia Fossari e tinha deixado uns quadros lá no
museu e quando do aniversário do centenário de Cascaes o Peninha me localizou e
eu fiz uma doação para o Museu Universitário dos negativos referentes as fotos
dessa peça.
Sempre que encontro alguma referência ou livro sobre
Franklin Cascaes e sua obra procuro me inteirar sobre o assunto, eu sou
fascinado pela obra desse grande gênio das artes e das tradições açorianas que
nós tivemos o prazer de ter como morador dos mais ilustres de Florianópolis.
Muito mais poderia aqui comentar sobre esse livro, e seus
temas abordados, mas como procuro deixar claro nesse espaço é somente um breve
comentário em forma de resumo sobre o mesmo
Recomendo a leitura não somente desse livro como os demais
por e sobre ele escritos.
Grande abraços à
todos.
Paulo Coelho –
Administrador/Bacharel e Licenciado em História.
Florianópolis –
SC 22/10/2022.
22 de setembro de 2022
FLORIANÓPOLIS MEMÓRIA URBANA
FLORIANÓPOLIS MEMÓRIA URBANA
Florianópolis: Memória
Urbana/Eliane Veras da Veiga – 3. Ed. Florianópolis: Fundação Franklin Cascaes,
2010. 464p.: Il
No dia 17 de setembro de 2022,
terminei a leitura do meu 13º livro do ano, de Eliane Veras da Veiga que já
está referenciado acima, e tem como foco suas pesquisas a partir de documentos
históricos que por sinal foram bem preservados no Estado de Santa Catarina e
também sua formação em Arquitetura, referentes a transformação da cidade de
Florianópolis em sua área central.
Um livro de grande importância
que já está na sua terceira edição atualizada, que nos apresenta a cidade desde
os primórdios de sua formação no século XVII até os dias atuais. Com a
utilização de mapas antigos sobrepostos com mapas mais modernos podemos
observar como o arruamento da cidade e seus principais edifícios foram se
modificando, preservando ou sendo destruídos ao longo dos séculos.
Por ser uma ilha com limitações
de espaço devido as baias norte e sul e também seus morros próximos o centro da
cidade foi se moldando contornando essas características, e quando isso não
mais foi possível foram realizados grandes aterros, esses já iniciados no
século XIX como por exemplo o aterro da atual Avenida Hercílio Luz em direção
ao morro da Menino Deus onde se encontra o Hospital de Caridade e sua
centenária capela.
Como podemos verificar os aterros
foram um dos fatores que intensificaram e deram a cidade vários eixos de
ligação entre as baías permitindo uma série de ligações que até então não seriam
possíveis. Em muitos casos os aterros também serviram como local de recebimento
de terras onde eram nivelados determinados morros existentes no centro da
cidade, como no caso do alto da atual Rua Felipe Schmidt.
Como ao longo dos anos várias
ruas importantes da cidade tiveram seus nomes primitivos trocados e até mais de
uma vez, não vou neste breve resumo fazer citação aos antigos nomes, tendo em
vista que isto está muito bem explicado e apresentado no livro. E realmente o
processo de arruamento da cidade foi uma atividade bem complexa pois no centro
da cidade existiam diversas propriedades conhecidas como chácaras que
pertenciam aos poderosos da cidade e nem sempre era possível fazer isso de
forma amigável mesmo que esses fossem religiosos também.
A antiga Desterro atual
Florianópolis de formação portuguesa com suas diversas ordem religiosas, foi ao
longo dos tempos construindo suas igrejas e seus prédios públicos,
principalmente os voltados a área militar que ficavam no centro da cidade,
também procuraram manter o estilo português durante longo tempos. Conforme a
cidade se desenvolveu mudanças arquitetônicas também passaram a ser feitas
visando o conforto e demonstrando o padrão social de seus usuários.
O eixo fundador da cidade tem
como seu Marco Zero a atual Praça XV de Novembro, que vinha até o mar e teve
também uma parte aterrada e por ser próxima aos centros comerciais e
administrativos, um enorme adensamento populacional se formou no seu entorno e
foi crescendo em direção aos antigos bairros que eram muito bem definidos de
acordo com a posição social dos que nestes habitavam.
Hoje no século XXI uma grande
área do centro da cidade é denominada como centro, mas até boa parte do XX
existiam várias denominações para esses lugares como Estreito para a área mais
próxima da Ponte que inclusive tinha o cemitério no seu interior, o bairro da
Figueira ou Rita Maria nas áreas onde temos a atual rodoviária, a Praia de Fora
para a atual Beiramar norte, o Santa Bárbara para a atual sede da Capitania dos
Portos, o Mato Grosso para o entorno da atual Praça Getúlio Vargas e vários
outros .
Sendo Desterro (atual Florianópolis)
um porto de boa qualidade muitos dos prédios foram edificados com a finalidade
comercial e de armazenamento como por exemplo o Mercado Municipal, a Alfândega,
alguns estaleiros que já não existem mais alguns trapiches e inclusive o
Restaurante e Bar Miramar que foi destruído junto como aterro hidráulico
realizado na década de 1970 para a construção da Ponte Colombo Salles.
Fica muito bem claro no livro
como o processo de alargamento e interligação das ruas e avenidas foram
realizadas visando um transporte sobre rodas que começou com bondes puxados a
burro e depois com os automóveis. Para que essas ruas e avenidas fossem abertas
ou alargadas inúmeros córregos e fontes de água foram drenados ou canalizados.
E nesse processo também já começa o serviço mesmo que de forma precária por
crônicas deficiências de recursos que a província e a câmara municipal
dispunham.
Outro fator que me chamou atenção
é que tínhamos uma burocracia relativamente preocupada com o orçamento e uso do
dinheiro público, tendo em vista que uma quantidade grande de obras que ainda
temos hoje tiveram seus pregões e orçamentos aprovados previamente para a sua
realização para evitar desperdício de recursos.
O livro em questão além de nos
contemplar com fatos históricos, administrativos, sociais e urbanísticos ainda
nos contempla com uma quantidade enorme de fotos de vias e prédios públicos e
residenciais e também muitos mapas.
Como normalmente falo nos meus
pequenos resumos que procuro apresentar após a leitura de cada livro, este não
é um espaço para textos muito longos então sugiro à todos os que se interessam
pelo assunto que é como Desterro chegou a Florianópolis com todas as suas mudanças,
evoluções e transformações, sugiro e recomento a leitura desse importante livro
sobre a nossa cidade
Grande abraços à todos.
Paulo Coelho –
Administrador/Bacharel e Licenciado em História.
Florianópolis – SC 22/09/2022.
22 de agosto de 2022
FEIRAS LIVRES, COMÉRCIO POPULAR DE PAI PARA FILHO
FEIRAS LIVRES
Falar de feira livre, para mim é como falar de um projeto de família que deu certo, desde muito tempo eu sou fascinado por esse tipo de comércio, que foge a lógica dos grandes supermercados, shopping centers e até do comércio eletrônico.
Por milênios compramos em feiras livres até porque no início do comércio era a melhor forma de apresentar seus produtos para venda ou na ausência do dinheiro para trocas por meio de escambo mesmo.
Na feira livre podemos comprar fracionado o que quisermos, ver os produtos a granel ou em peças, sentir seus cheiros e admirar suas cores livres das "maquiagens" digitais realizadas em folders ou encartes de grandes redes de supermercados ou grandes varejistas.
Acredito que com o apoio adequado, e cumprindo normas sanitárias determinadas pelos órgãos públicos, ainda teremos esse modelo de negócio por muito tempo. Inúmeras pessoas não somente por saudosismo, ainda preferem comprar suas frutas, seus temperos, produtos coloniais ou industrializados em pequena escala nas feiras livres.
Deixo aqui os melhores votos de vida longa para os que ainda persistem nesse modelo de negócio.
Paulo Coelho - Florianópolis - SC Fotos Paulo Coelho - Feira do Largo da Alfândega 20/08/2022.
13 de agosto de 2022
UMA RESISTENTE REVISTARIA EM FLORIANÓPOLIS
Sabe aquele local que te traz tanta lembrança boa que até parece a casa da vó?
Ele existe e nesse caso vem em nome de uma Banca de Revista uma das poucas sobreviventes ao mundo do comércio eletrônico ou de Shopping Center na nossa cidade capital.
Na Banca Joreli na Rua Tiradentes eu comprei os meus primeiros livros lá no final da década de 1970, hábito esse que não parei nunca.
Lembro do Seu Nereu sempre oferecendo uma novidade ou reservando uma revista de fotografia que eu comprava mensalmente.
É com muito prazer que apresento a Banca Joreli para os que não a conhecem e também para os que conheceram matarem um pouco da saudade e quem sabe voltar a ver alguma novidade literária ou de alguma revista em especial.
Vida longa aos pequenos comércios tradicionais.
Grande abraço à todos.
Paulo Coelho Florianópolis SC 13/08/2022.
Revistaria Joeli - Foto Paulo Coelho - 13/08/2022
9 de agosto de 2022
FLORIANÓPOLIS MEMÓRIA URBANA
RELEMBRANDO UMA CIDADE EM TRANSFORMAÇÃO
FLORIANÓPOLIS Memória Urbana de Eliane Veras da Veiga, terceira edição da Fundação Franklin Cascaes 2010.
Neste livro temos uma pesquisa do ambiente urbano de Florianópolis de 1850 a 1930, com ampla descrição dos locais, ruas, praças e monumentos e acompanhado de mapas, fotos e esboços de construções.
Mesmo representando uma era ainda podemos acompanhar o que foi preservado e também sentir saudades do que não teve a mesma sorte.
Material que ainda se mantém atual e de grande importância para projetos de preservação da nossa memória urbana tão modificada por atividades imobiliárias que nem sempre tiveram o cuidado e a preocupação com a sua preservação.
Tão logo acabe a leitura e de acordo com o meu tempo, publicarei aqui um breve resumo da obra com a minha opinião e entendimento sobre a mesma.
Grande abraço à todos.
Paulo Coelho Florianópolis SC 08/08/2022.
Foto Reprodução: Paulo Coelho 08/08/2022
4 de agosto de 2022
MEMÓRIA DO COMÉRCIO EM FLORIANÓPOLIS
Espaço de memória de Loja Dominik no Estreito Florianópolis SC.
Essa Loja já funciona a 63 anos desde 1959 e eu acho muito legal mesmo esses espaços de memória do comércio para que as gerações seguintes possam ter ideia de equipamentos utilizados no dia a dia das empresas antes de revolução tecnológica que vivemos hoje.
Foto Paulo Coelho 01/08/2022.
COMÉRCIOS DURADOUROS EM FLORIANÓPOLIS
Dois comércios que representam a longevidade empreendedora de Florianópolis.
A Eletrônica Yama e a Keko Pastelaria.
Desde muito jovem me encantava em ver o Seu Yama somando as contas em um Ábaco de madeira.
Ao longo dos anos gerações de Florianopolitanos foram convivendo com estas empresas que resistem a modernidade e ainda mantém seus clientes de longas datas.
Paulo Coelho Florianópolis - SC 04/08/2022.
Eletrônica Yama/Keko Pastelaria - Florianópolis - SC Foto: Paulo Coelho
2 de julho de 2022
A MAGIA DOS ALAMBIQUES E SUA CACHAÇA ARTESANAL
CACHAÇARIA SCHMITZ - SANTA MARIA - ANTONIO CARLOS SC
Ontem dia 01 de julho de 2022, tive a oportunidade e o grande prazer de fazer uma visita no Alambique da família Schmitz, que vem em atividade desde a década de 1960 e hoje está sendo conduzido pelo neto do fundador Diogo.
Pude ter oportunidade de aprender um pouco dos processos e cuidados para fazer uma cachaça com qualidade, que envolve a compra do melado de cana (já que a propriedade não produz mais a cana), fermentação em enormes Tinas de madeira e depois destilação em alambique aquecido a lenha.
É com muita tristeza que vejo esses saberes e fazeres antigos sendo substituídos por engenhos industriais e equipamentos ultra modernos como aço inox e eletricidade. Gerações inteiras repassaram esses conhecimentos e agora mesmo com um grande índice de divulgação e consumo da cachaça artesanal tendem a desaparecer ou ficar cada vez mais difícil de se encontrar.
O ambiente com o cheiro da cachaça sendo produzida, se torna um encanto e mesmo que não tenhamos vivido isso anteriormente nos remete a um tempo muito distante e dá para imaginar quando isso tudo era feito diretamente nas pequenas propriedades familiares do nosso estado e principalmente na Ilha de Santa Catarina, atual Florianópolis capital do estado de Santa Catarina.
Em meados do século XVIII na atual Florianópolis chegou a ter mais de 200 engenhos que faziam cachaça e alguns também faziam farinha de mandioca tudo movido a força de bois. Com a vinda dos casais Açorianos para Desterro a partir de 1748 essa atividade se intensificou e a cidade por ser o último porto para o Sul do Brasil e também para o Rio da Prata e uma grande quantidade de cachaça e farinha eram produzidos para abastecer os navios que por aqui aportavam.
Atualmente a quantidade de engenhos de cachaça e também de farinha em Florianópolis é muito pequena e não tenho como afirmar agora se chega ou não a pouco mais de uma dezena. A atividade por ser muito trabalhosa não interessou aos jovens que preferiram ir trabalhar em atividades no comércios ou nas inúmeras empresas que aqui existem.
Quando chega alguma data festiva algumas comunidades apresentam esses saberes e fazeres para a população em geral e isso não quer dizer que não se possa visitar em qualquer época do ano, é que praticamente não tem nenhum tipo de divulgação pelos nossos órgãos públicos que deveriam promover a nossa cultura e tradições de uma forma mais efetiva e não somente em datas específicas.
Eu vim do interior do estada em 1968 e fui criado dentro de uma venda no bairro Prainha em Florianópolis, então por tradição sempre que possível procuro apreciar e divulgar essas atividades de pequenos comércios ou comércios familiares.
Então hoje agradeço ao Diogo da Cachaçaria Schmitz por ter aberto as portas do seu Alambique e ter me passado informações preciosas sobre o processo de fabricação da cachaça e como cliente desse estabelecimento outras visitas ainda farei.
Grande abraço à todos.
Paulo Coelho - Florianópolis - SC - 02/07/2022.
8 de dezembro de 2021
PINHEIRA AINDA UMA AUTÊNTICA VILA DE PESCADORES
A Praia da Pinheira situada no município de Palhoça - SC, distante a 55 km de Florianópolis capital do estado de Santa Catarina, mesmo com toda a infraestrutura criada ao longo das últimas décadas ainda pode ser vista como uma autêntica vila de pescadores.
Nas primeiras horas de todas as manhãs podemos encontrar um certo vai e vem de pequenos barcos de pesca e botes com peixes prontos para serem vendidos diretamente dos pescadores aos consumidores finais sendo estes turistas ou não.
Eu particularmente conheço esse lugar desde 1990 e desde então sempre procuro fazer inúmeras fotografias desse lugar até porque tenho um imóvel nesta localidade desde então. Acredito que foi um pouco negligenciado por alguns prefeitos por vários anos, mas houveram grandes avanços nas últimas legislaturas em relação a infraestrutura da praia em sí.
É muito comum vermos barcos saindo para os cercos dos lances de Tainha na época da safra deste pescado que ocorre durante os meses de maio a julho de cada ano.
Barcos de pesca Praia da Pinheira Palhoça SC 05/12/2112 de outubro de 2021
A EPOPÉIA AÇÓRICO MADEIRENSE 1748_1756
Em 28 de agosto de
2021, terminei a leitura do meu 12º livro do ano, de Walter Fernando Piazza.
A epopeia Açórico-Madeirense
1747-1758 / Walter F. Piazza, Florianópolis: Ed. da UFSC; Lunardelli, 1992, 490
p.: il.
Ao ler esse livro do Historiador
catarinense Walter F. Piazza, que teve como base as suas inúmeras pesquisas em
arquivos históricos de diversas entidades portuguesas especialmente em Lisboa e
na região dos Açores e Ilha da Madeira, bem como em várias instituições
militares e civis brasileiras e catarinenses.
Podemos ter uma ideia bem detalhada sobre o
que e como foi realmente a epopéia dos casais açorianos e madeirenses, ao se
transferirem para o Brasil e mais especificamente em Desterro (hoje
Florianópolis) e seu entorno na Província de Santa Catarina.
Uma das grandes dificuldades de
ler este livro foi a questão de ter sido feito uma transcrição literal dos documentos
de época com todas as variáveis de grafia que muito posteriormente foram
modificadas e não importava se era o rei ou seus súditos que estivessem
escrevendo o que nós hoje consideraríamos como erros de grafia naquela época era
perfeitamente natural, isso sem contar as abreviações no meio das cartas e
também as repetições de documentos pois as vezes o mesmo documento era encontrado
em lugares e arquivos diferentes. Tudo isso devido a burocracia portuguesa que
informava que os documentos seguiam em vias diferentes.
A partir dos relados de Walter
Piazza podemos ter acesso a toda a burocracia portuguesa e todos os seus graus
de comando e influências inclusive as autoridades religiosas como Bispos e
demais agregados da Igreja Católica que tinha uma certa simbiose com o sistema
de governo português tendo em vista esse ser uma monarquia voltada e devota do
catolicismo.
Conflitos com a Espanha e temor
de perda de parte de suas posses na américa, principalmente na fronteira sul do
Brasil, o governo de Portugal, se vê obrigado a tomar dinheiro emprestado “a
juros’ de cinco por cento ao ano de capitalistas para então efetuar o que foi
uma verdadeira epopéia para a época em questão.
Funcionários das mais diversas
hierarquias governamentais e religiosas eram encarregados de fazerem um censo
dos casais e com idades bem específica que quisessem se transladar para o
Brasil e as ordem eram bem claras e deveriam ser reportadas diretamente a coroa
portuguesa em Lisboa para que fosse organizado todo o engenhoso processo para a
transferência transatlântica.
A burocracia portuguesa era de
tal ordem que os mínimos detalhes eram colocados nos contratos com os “assentistas”
assim chamados os transportadores que iriam realizar o transporte marítimo dos
casais e seus filhos que assim o fossem permitidos serem transportados e
inclusive especificava o quando de comida ou (ração) seria fornecido para cada
pessoa maior, adolescente a partir de três anos até quatorze anos e designando
que não poderia ser dado e cobrado nada os de até três anos pois estes não
estaria sendo custeados pela coroa.
Espaços reservados para mulheres
que não poderiam ser acessados por hipótese alguma por outros homens da
embarcação exceto seus maridos, um número mínimo de padres a bordo para poder
efetuar os ofícios religiosos, quantidade de água a ser distribuída e médico a
bordo tudo isso fazia parte dos compromissos que deveriam ser seguidos, para
que após a chegada ao destino final fosse efetuado o pagamento ao transportador
e até os que morriam no trajeto eram descontados, já que o contrato previa o
pagamento por pessoa transportada.
Na segunda metade do século XVIII
o Arquipélago dos Açores (formado por nove ilhas) e também a Ilha da Madeira,
ambas possessões da coroa portuguesa, passavam por uma explosão demográfica e
também vitimados pelo flagelo da fome devido a uma série de eventos climáticos
e também outros fenômenos naturais decorrentes da origem vulcânica dessas
terras.
Erosão e exaurimento do solo, criaram
a condição perfeita para a crise que assolou a região, e região esta que mesmo
sendo uma grande potência agrícola, se torna insuficiente para alimentar sua
população e ainda pagar os impostos devidos a coroa portuguesa sobre a
produção.
Foi então que por convencimento
de seus conselheiros Ultramarinos o então Rei de Portugal resolve abrir edital
público para transferência de aproximadamente oito mil casais para suas possessões
na américa e principalmente em Desterro ao sul do Brasil na Província de Santa
Catarina.
Na província de Santa Catarina
foi designado o Brigadeiro José da Silva Paes para proporcionar todo o
alojamento e distribuição de terras, ferramentas e animais, bem como a alimentação
mínima a base de farinha, carne e peixe por um período não inferior a um ano,
para que os casais se instalassem da melhor forma. Por mais que isso possa ter
sido pretendido jamais foi cumprido na íntegra conforme o edital real previa.
Imaginemos milhares de pessoas
que levaram meses para cruzar o Atlântico deixando para trás tudo que tinham e
que quando conseguiam vendiam por uma ninharia por acreditar em uma vida melhor
chegar a um local completamente desconhecido e repleto de animais, terem que
desbravar matas para construir suas residências e roças? Quanta dificuldade
devem ter encontrado em Desterro na Ilha de Santa Catarina. Isso tudo ainda
levando em conta que muitos dos seus entes queridos não puderam embarcar por
estarem fora da idade que o régio edital previa.
Nesse período Desterro carecia de
pessoas para completar o povoamento da terra e também para abastecer as
necessidades da região e também os navios que seguiam para o Rio da Prata, e a
vinda desses casais tinha exatamente esse objetivo.
Com a vinda dos casais de
açorianos e madeirenses, para Desterro, comunidades foram criadas ou ampliadas,
igrejas erguidas e também como previa o régio edital companhias de milícias destinadas
a segurança e a ordem das localidades foram montadas por oficiais que já vieram
com essa formação lá de Portugal.
A partir das inúmeras relações de
passageiros dos transportadores e também de documentos do governo local podemos
ter acesso a alguns nomes que posteriormente se tornaram famílias tradicionais
de Florianópolis ou mesmo se não tradicionais por posses ou cargos, mas muito
tradicionais nas vilas onde foram inseridas.
Atividades que tiveram um grande
incremento com a vinda dos açorianos para desterro foram a fabricação de
farinha de mandioca, produto esse que foi usado em substituição ao trigo e
outros cereais plantados nas Ilhas dos Açores, fabricação de cachaça a partir
da cana de açúcar que por sinal se tornou um dos produtos mais comercializados
por Desterro, produção de peixe seco, plantação de frutas e também extração de
lenha para abastecer os navios que seguiam para o sul, isso tudo fazia parte da
economia local nesse período.
Conforme comento em cada pequeno
resumo, que faço dos livros que leio para socializar o seu conteúdo, este
espaço se torna pequeno ou inadequado para publicação de detalhes mais
aprofundados dos livros, então temos a referência completa logo no início e
sugiro aos que tenham interesse no assunto que façam suas pesquisas
complementares de acordo com os seus objetivos.
Grande abraço à todos.
Paulo Coelho –
Administrador/Bacharel e Licenciado em História.
Florianópolis – SC 12/10 /2021.
19 de setembro de 2021
FEIRA LIVRE UM ENCANTO DE CORES E SABORES.
24 de julho de 2021
APROPRIAÇÃO DA SOCIOBIODIVERSIDADE: DISPUTA PELA PROPRIEDADE
INTELECTUAL DOS SABERES INDÍGENAS NAORDEM CONSTITUCIONAL BRASILEIRA
Dia 24 de Julho de 2021, terminei
a leitura do meu 11º livro do ano, de Juliano dos Santos Seger.
Apropriação da sociobiodiversidade:
disputa pela propriedade intelectual dos saberes indígenas na ordem
constitucional brasileira /Juliano dos Santos Seger; Curitiba, PR: Brazil
Publishing, 2019 214p.
Ao ver esse livro como sugestão
de uma editora que eu acompanho nas redes sociais a capa que é linda e o nome
do livro logo atraíram a minha atenção, então fui dar uma olhada na resenha da
editora até por conhecer pouco sobre o tema e não conhecer o autor.
Escrito por um Advogado, porém
com uma pesquisa histórica perfeita sobre os saberes e fazeres dos povos
originários que por milênios ocupam o nosso país. Confesso que tive uma certa
dificuldade quanto ao linguajar em alguns momentos um tanto quanto juridiquês,
e também o vai e vem de capítulos, parágrafos e artigos de leis citados.
Conforme as sociedades vão
mudando é normal que as leis e constituições que as regem também acompanhem
essas mudanças, mas tem sociedades em que essas mudanças ocorrem de forma
diferente tanto tecnologicamente ou temporalmente o que pode trazer grandes
problemas para grupos etnicamente menos protegidos pelas leis caso dos
Indígenas que basicamente tem os seus saberes e fazeres transmitidos de forma
oral por milênios.
O enfoque principal deste livro é
exatamente saber como devem ser remunerados os povos tradicionais pelo
conhecimento por eles adquiridos e que são indevidamente apropriados desses
povos quer seja por aproximação, convívio ou mesmo biopirataria.
Desde o período do Império
diversas constituições foram implementadas no Brasil e somente na de 1934 que
houve algum tipo de proteção aos povos indígenas e seus conhecimentos
adquiridos, mas a constituições que a seguiram, mantiveram alguma proteção e
voltaram atrás em outras e somente com a constituição cidadã de 1988 estes
povos tiveram os seus direitos preservados.
O Brasil é signatário de vários organismos
internacionais que tratam do Meio Ambiente e também de proteção aos povos
originários como por exemplo o Protocolo de Nagoya, que veio a partir de uma
reunião com 193 países nessa cidade do Japão.
Mesmo assim as diversas leis não
são suficientes para garantir que os verdadeiros detentores do conhecimento se
beneficiem quando determinadas plantas ou organismos são manipulados por
grandes indústrias químicas ou farmacêuticas os transformam em produtos ou
medicamentos novos, transformando esse conhecimento em lucros bilionários para
essas empresas transnacionais e com grande capacidade de lobby junto aos órgãos reguladores.
Importante ressaltar que a
legislação brasileira e também internacional quanto aos direitos autorais tem
muitas brechas que inclusive cria dúvidas e processos intermináveis, que
poderiam colocar em cheque o direito sobre os conhecimentos ancestrais.
Na década passada o governo
brasileiro teve que intervir diplomaticamente junto à organização internacional
que cuida da propriedade intelectual e registro de patentes, para que o nome
Açaí deixasse de pertencer a uma corporação japonesa que havia registrado a marca
desse fruto típico da Floresta Amazônica como sua propriedade o que impedia que
os produtores de Açaí ficassem impedidos de comercializar o fruto sem ter que
pagar royalties para essa empresa.
Vários entes federativos e
políticos brasileiros nem sempre levaram a sério que esse patrimônio genético
de conhecimentos e também de plantas e organismos são na realidade um grande
patrimônio do povo brasileiro que pode inclusive valer muito mais que
determinados minerais ou outros produtos da cadeia extrativista. Inúmeras foram
as concessões fornecidas quer seja por ingenuidade, falta de conhecimento ou
mesmo por corrupção.
Na minha opinião todo esse patrimônio
cultural, e seus povos detentores do conhecimento dos mesmos devem em primeiro
lugar serem remunerados, preservados e assistidos pelos órgãos constitucionalmente
designados para essas funções, quer sejam, agências reguladoras, fundações de
proteção (FUNAI, IBAMA, ICMBIO), Ministério Público e demais entes, em
benefício destes e também do povo brasileiro.
Acredito ser uma tarefa árdua e
que entra em conflito com interesses muito grandes de poder e finanças, contra grandes
corporações, quer sejam nacionais ou transnacionais, mas vale a pena lutarmos
pela preservação desses.
Encerrando o meu comentário sobre
o livro, tenho somente a elogiar o trabalho de pesquisa do autor Juliano dos
Santos Senger, e sugiro aos que se interessarem pelo assunto que leiam o livro,
que como já mencionei é bem polêmico e ainda pode render diversos embates
jurídicos em cortes nacionais ou mesmo internacionais.
Grande abraço à todos.
Paulo Coelho –
Administrador/Bacharel e Licenciado em História.
Florianópolis – SC 24/07/2021.
18 de julho de 2021
A ORGANIZAÇÃO – A ODEBRECHT E O ESQUEMA DE CORRUPÇÃO QUE CHOCOU O MUNDO
Dia 19 de Junho de 2021, terminei
a leitura do meu 10º livro do ano, de Malu Gaspar.
A organização : a Odebrecht e o
esquema de corrupção que chocou o mundo / Malu Gaspar – 1ª ed. São Paulo :
Companhia das Letras, 2020. 639P.
Ao ler este livro que além do seu
enorme volume físico por se tratar de uma obra de quase setecentas páginas,
também nos é apresentado um enorme e bem “estruturado” esquema de corrupção que
conforme a autora não vem somente de governos recentes e sim a mais de
cinquenta anos quando ainda não desfrutávamos de um ambiente democrático tal
qual vivemos agora, apesar de alguns fatos presentes tentarem mostrar o
contrário.
A jornalista Malu Gaspar fez um
trabalho fantástico de pesquisa tanto jornalística quanto histórico sobre a
situação de proximidade dos grandes empreiteiros com o poder independentemente
de qual viés ideológico e político, quer seja esquerda, direita, centro ou
mesmo quando dos militares no poder.
Ao ler a obra da jornalista
mergulhamos num emaranhado e complexo sistema de corrupção que nos traz além de
centenas de códigos e siglas que deixaria boquiaberto, qualquer membro das
maiores máfias e cartéis que já tivemos conhecimento mesmo que por obras de
ficção ou real já vista, tal o nível de detalhes para montagem desse esquema.
Uma briga pelo poder e pelo
dinheiro mesmo, traça o perfil de empresários, sócios, familiares e advogados,
mostrando o quanto essas pessoas são egoístas, excêntricas e determinadas
quando o objetivo é obter vantagens indevidas de governos, sim governos
independentes de esferas administrativas ou mesmo de fronteiras transnacionais.
A Odebrecht para entrar no
“Clube” que era o cartel das grandes empreiteiras que construíram boa parte da
infraestrutura nacional tais como: Itaipú Binacional, Brasília, a
Transamazônica, vários complexos petroquímicos, imensas pontes como a Rio
Niterói, rodovias e uma infinidade de mega obras, teve que pagar um custo muito
alto em propinas à diversos agentes políticos desses governos.
Por se tratar de uma corporação
familiar todos os problemas e conflitos entre pai e filho isso falando dos
últimos Odebrecht em poder de comando total da organização Emílio e seu filho
Marcelo que pelo seu elevado grau de egocentrismo era tratado nos corredores da
empresa como “príncipe”, pessoa de gênio irascível e de difícil trato
extremamente concentrador que o tempo todo tenta superar o pai dentro da
empresa.
O Departamento de Operações
Estruturadas da Odebrecht, órgão este criado especificamente para ter um
controle das propinas pagas e a quem elas eram pagas, foi montado com um
complexo sistema computacional que além de ser hospedado fora do Brasil ainda
usava alta tecnologia de criptografia tornando o praticamente impenetrável.
Neste departamento pouquíssimas
pessoas e de estrita confiança de Marcelo Odebrecht tinham acesso aos códigos
de acesso e também aos codinomes bem como aos valores pagos parcialmente ou
mesmo totais, tendo em vista que alguns pagamentos estavam condicionados a continuação
de projetos ou outros objetos e apoios que a organização julgasse essencial
para sua sobrevivência.
Os volumes de recursos
normalmente muito altos eram disponibilizados das mais variadas formas que iam
de entrega em espécie a transferências bancárias nacionais ou internacionais e
poderiam ser destinados à pessoas físicas, jurídicas, partidos políticos e seus
diretórios e também à advogados designados para esse fim.
E como cada diretor, gerente ou
advogado era responsável por determinado ente público ou privado para entregar
a propina os demais não tinham muito conhecimento se todo o dinheiro pedido e
sacado era realmente entregue ao destinatário, causando acusações sobre
apropriação indébita de propina alheia ou, seja, o cara pedia um valor para dar
a alguém e ficava com uma parte em suas contas ou investimentos particulares.
O volume de dinheiro criou
proporções tão grandes que bancos tiveram que serem comprados no exterior
diga-se paraísos fiscais para efetuarem os depósitos e transferências normalmente
vindos de empresas offshores criadas
pela Odebrecht em diversos destes paraísos fiscais onde eram efetuadas várias
transações até chegar ao destinatário final. Procedimento esse destinado a
ocultar a origem do dinheiro.
Com o advento da Operação Lava
Jato promovida pela Justiça Federal e o Ministério Público Federal do Paraná, o
castelo da organização e de outras grandes companhias empreiteiras, começa a
ruir e entra em ação outros grupos que passam a dar enorme dor de cabeça aos
dirigentes destas e estes grupos são Juízes, mais especificamente Sergio Moro e
um grupo de Procuradores do MPF (que também eram bem ambiciosos), designados
para tratar de investigar mecanismos de corrupção montados dentro das
empreiteiras e principalmente as que
tinham contratos com a Petrobrás.
Com os processos movidos pela
Lava Jato aos empreiteiros, vieram a tona as Delações Premiadas ou Acordos de
Leniência, onde os réus além de colaborar com a justiça informando todos os
processos de corrupção ou à quem o dinheiro era repassado, também multas
vultuosas eram impostas as empresas ou aos delatores. No caso da Odebrecht as
multas foram pagas diretamente pela empresa e com isso além de perder contratos
bilionários com governos no Brasil e também no exterior ainda tinha que tirar
dinheiro do caixa para pagar essas multas.
Voltando aos dois Odebrecht
citados anteriormente Emílio e Marcelo, podemos ver brigas homéricas que
extrapolaram o ambiente da empresa, passando pelo ambiente familiar com cenas
inimagináveis como o bloqueio de cartões de crédito das filhas e de pagamento
de despesas domésticas na casa de Marcelo. Mesmo ficando preso por mais de três
anos na Polícia Federal de Curitiba, Marcelo não se dá por vencido e tenta
manter o controle da companhia e de seus diretores e advogados.
Durante o período de prisão de
Marcelo Odebrecht, este por ser extremamente metódico escreve mais de sete mil
páginas de caderno todas numeradas como se fosse um diário e também uma forma
de enviar aos seus familiares e subalternos na organização de que mesmo preso
ele ainda era a pessoa quem mandava ou tentava mandar em todos.
Com o passar das décadas de
operação com governos dos mais variados níveis a Odebrecht se torna uma das
maiores companhias do Brasil e com grande respaldo mundial, tendo ações na
Bolsa de Nova Iorque e fácil acesso a financiamentos internacionais, porém a principal
fonte de recursos para o seu financiamento eram mesmo os bancos públicos
brasileiros diga-se BNDES, Bando do Brasil e Caixa Econômica Federal e alguns
bancos regionais.
Estas operações normalmente foram
efetuadas por interferência política e isso independia de qual ideologia
estivesse no governo, tendo em vista que a organização procurava manter contato
muito próximo aos governos, claro que em função da Lava Jato a organização
acabou sendo relacionada diretamente aos últimos governos do PT, mas fica muito
claro e com os devidos nomes que conforme já falado acima não importava quem
era o governo e sim quem era o contato forte no governo.
Como o espaço aqui não é o mais
adequado para textos muito longos, vou informar que após entrar em Recuperação
Judicial a Odebrecht hoje tem menos de um quinto dos funcionários que já teve,
um faturamento infinitamente menor e ainda em 18 de dezembro de 2020, mudou de
nome ou de Razão Social para Novonor ou algo como uma combinação de letras
sendo Novo Norte.
Também fiz várias buscas na
internet, na tentativa de verificar se algum dos citados desde o início dos
anos 1970 procurou processar a Jornalista Malu Gaspar por difamação ou calúnia
e não encontrei nada, então acredito que a sua pesquisa tenha sido realmente em
bases bem sólidas quere sejam documentais ou de depoimentos de alguns entes
citados no livro.
Recomendo a todos os que puderem
e tiverem interesse sobre o assunto que leiam o livro desta jornalista.
Grande abraço à todos.
Paulo Coelho – Administrador/Bacharel
e Licenciado em História.
Florianópolis – SC 18/07/2021.
19 de abril de 2021
AS DEFESAS DA ILHA DE SANTA CATARINA NO BRASIL COLÔNIA
Dia 06 de abril de 2021, terminei
a leitura do meu 8º livro do ano, de Oswaldo Rodrigues Cabral.
AS DEFESAS DA ILHA DE
SANTA CATARINA NO BRASIL COLÔNIA/ Oswaldo Rodrigues Cabral Rio de Janeiro: Departamento
de Imprensa Nacional/Conselho Federal de Cultura, 1972. p. 136. Il.
Este livro é um documento de
grande valor histórico para todos os que se interessam sobre a história e vida
na Ilha de Santa Catarina no período logo após a vinda dos colonos açorianos
para cá provenientes de um processo de colonização organizado pela Coroa
Portuguesa.
Antes de contar a história do
livro propriamente dita, vou contar outra muito legal de como esse livro chegou
até as minhas mãos para que eu possa enfim escrever sobre ele.
Como residente em Florianópolis,
tenho uma certa dificuldade de encontrar no nosso mercado de Sebos ou livros
usados uma boa variedade de livros sobre a história da Ilha de Santa Catariana,
tema esse que tenho procurado ler e pesquisar com maior frequência e com isso
acabo tendo que procurar nos meios de venda online da internet e nesse caso a
Estante Virtual que é um grande HUB ou agregador de quase três mil Sebos do
Brasil inteiro tem facilitado muito diversas aquisições.
Quando da última compra que este
livro fazia parte, a minha surpresa foi grande, tendo em vista que o mesmo me
foi enviado por um Sebo da minha cidade, mais especificamente do Bairro dos
Ingleses chamado “O Escambau” termo bem utilizado no linguajar local, e para
minha total felicidade consegui saber quem foi o proprietário anterior e ainda
veio com algumas surpresas internas.
O livro pertenceu a um senhor que
carimbava em tinta verde diversas páginas do livro para que o mesmo ao cair em
alguma mão pudesse retornar ao seu dono e no carimbo assim estava “Dr. Luiz
Calderan Beltrão” residente na Av. Trompowsky, um dos endereços bem nobres de
Florianópolis, não preciso informar mais detalhes do ilustre proprietário do
livro, quanto a sua residência.
Outra coisa que me surpreendeu completamente
foi que este senhor era muito zeloso pela história e com grande conhecimento
também devido as algumas correções que estão no livro, mas surpresa mesmo foi
que o livro veio recheado de recortes de jornais e um inclusive é uma página
inteira do jornal Diário Catarinense datado de 15 de junho de 1992, onde tem
uma foto bem grande da Fortaleza de Anhatomirim quando as reformas estavam
sendo concluídas para abertura ao
público e no seu verso uma página sobre o relatório que se estava montando
referente a ECO/92 reunião da ONU sobre o clima ocorrida na cidade do Rio de
Janeiro no mesmo ano. Também tem vários recortes de jornais de datas diversas
que mostram o grau de ruínas em que as fortalezas se encontravam antes da sua
recuperação pela UFSC.
Voltando ao livro propriamente
dito, desde os primeiros anos que os portugueses puseram os pés no Brasil isso
no início do século XVI, a Ilha de Santa Catarina, antiga Ilha dos Patos, que
depois se tornou Desterro e atualmente é Florianópolis a capital do Estado de
Santa Catarina, que esse lugar de belezas sem iguais e também um dos melhores
portos naturais do sul do Brasil, é objeto de interesse tanto da Coroa
Portuguesa como também de outras nações devido ao seu caráter estratégico.
Como a Ilha de Santa Catarina era
o último porto natural dos navios que rumavam para a região do Prata e também
para o Pacífico e ainda tinha muita madeira para fornecimento de lenha aos
navios bem como madeiras nobres para consertar naves danificadas e também para
exportação e água em abundância bem como frutas e verduras de muitas espécies
este local se torna ponto de parada obrigatória para todos que tinham o sul
como destino que seja a Província de São Pedro do Rio Grande ou a região do
Prata.
Em 1737 a Coroa Portuguesa
atendendo a pedido do Governador do Rio de Janeiro com a finalidade de
resguardar em segurança toda a costa sul do Brasil inclusive fortificar a Ilha
de Santa Catarina que à este estava subordinada, e determina que sejam
construídas fortalezas para proteção e controle deste lugar conforme já
mencionado é estratégico para Portugal.
No ano de 1738 o Brigadeiro José
da Silva Paes então é designado por Carta Régia do Rei D. João V, para
construir quatro fortalezas com a finalidade de proteger a Ilha de Santa
Catarina, principalmente dos espanhóis.
Então são idealizadas três
fortalezas na região norte da ilha e uma ao sul da mesma, as três formariam uma
espécie de triângulo de fogo de acordo com suas posições que segundo o seu
idealizador teriam a condição de por meio de fogos cruzados interceptar
qualquer navio que tentasse entrar por essa via marítima e muito próximas da
cidade do Desterro e a do sul teria a finalidade de conter invasão que por essa
via pudesse tentar ingressar.
E assim em 1739 as fortalezas
começam a serem erguidas começando pela de Santa Cruz na ilha de Anhatomirim a
maior de todas, a de Santo Antônio na ilha de Ratones (Raton grande) e também a
de São José da Ponta Grossa essa em terra firme na Ilha de Santa Catarina e a
da Barra do Sul.
Além das fortalezas acima citadas
que realmente eram as maiores e também as melhores equipadas em poder de fogo e
ainda foram criados, mais quatro fortes no trecho que hoje entendemos por
Beiramar Norte que começavam no Forte de Santana e vinham até aonde próximo a
atual Praça Nereu Ramos (Hotel Magestic). Com isso podemos imaginar o quanto a
Ilha de Santa Catarina era militarizada tendo uma grande quantidade de
militares envolvidos na sua segurança e também outras atividades
administrativas.
Cada fortaleza funcionava com
corpo de tropa, governador capelão e demais oficiais de forma autônoma,
independentemente de receberem ou não seus vencimentos que por vezes chegava a
fica até seis a oito anos atrasados e os soldados praticamente vestindo trapos
como fardamento e completamente mal municiados.
Anos mais tarde foram
identificados vários erros no projeto de construção das fortalezas, se chegou a
conclusão que elas não poderiam atender as finalidades de proteção a que o Rei
de Portugal acreditava ter feito ao construir essas obras. Pelo tipo de
armamento os fogos jamais poderiam se cruzar para realmente funcionar como um
triângulo de fogo, ou seja, praticamente serviam para atirar balas ao mar pois
não chegariam a qualquer navio que adentrasse pelo lado norte.
A 20 de fevereiro do ano de 1777
os espanhóis sabendo dessas deficiências invadem a Ilha de Santa Catarina por
Canasvieiras, fazendo que essa se rendesse sem que fossa dado um único tiro, e
inclusive o comandante de duas das três fortalezas literalmente garraram o mato
vindo a se render dias depois. Os espanhóis, ficam de posse de Desterro por
aproximadamente um ano até que os reinos de Portugal e Espanha resolvem um
comum acordo se pacificarem.
As atividades militares na Ilha
de Santa Catarina sempre foram levadas ao extremo pois conforme promessa feita
aos colonos que foram enviados das Ilhas dos Açores esses não poderiam ser
convocados para ou alistados para o serviço militar, fato esse que os diversos Governadores
de Desterro frequentemente convocavam compulsoriamente estes para servirem nas
tropas dos quarteis dentro das fortalezas e também nas áreas urbanas.
A convocação era de forma
vitalícia sendo impossível a sua baixa a menos que os soldados estivessem muito
velhos ou estropiados de alguma guerra que eles participassem normalmente no
sul do Brasil ou muito doentes e na maioria das vezes ainda tinham que indicar
um parente ou amigo para ficar no seu lugar.
As tropas dos quartéis eram
divididas em três grupos conforme o grau de influência dos cidadãos que vinham
a ser, O Regimento de Linha, De Milícias e As Ordenanças cada um desses grupos
com suas hierarquias e postos militares divididos em alguns que hoje nem usamos
mais como um dos mais importantes abaixo do Comandante que era o Sargento Mór.
O livro é muito bem escrito
apresentando uma grande quantidade de mapas e planilhas com inventários de
todos os equipamentos, munições de diversos calibres e contingentes de cada uma
das fortalezas ou pequenos fortes bem como os nomes dos comandantes e o tipo de
vestimenta das tropas da época.
Como esse espaço é relativamente
limitado vou encerrando por aqui e sugiro a leitura desse livro aos que se
interessam pela História da Ilha de Santa Catarina ou da História militar da
Ilha de Santa Catarina na Desterro dos séculos XVIII e XIX.
Grande abraço à todos.
Paulo Coelho –
Administrador/Bacharel e Licenciado em História.
Florianópolis – SC 19/04/2021





