14 de fevereiro de 2021

 


A ÚLTIMA VIAGEM DO MALTEZA S -

Dia 16 de janeiro de 2021, terminei a leitura do meu 2º livro do ano, de Valmir Guedes Júnior

 A última viagem do Malteza S – Encalhe, ameaça ecológica, burocracia e mortes.

Laguna: Ed. do autor, 2010 160p: il.

Este livro tem como abordagem o “naufrágio” se é que se pode falar no sentido amplo da palavra do navio cargueiro Malteza S de nacionalidade Grega em 26 de maio de 1979 na Praia do Gi na cidade de Laguna ao sul de Santa Catarina.

Quando no dia 23 de maio de 1979 o cargueiro Malteza S de nacionalidade grega com mais de 25 anos de idade e 160 metros de comprimento, deixou o porto de Rosário na Argentina com uma carga de pouco mais de 8000 (oito mil) toneladas de milho com destino a Holanda, a pacata cidade de Laguna ao sul de Santa Catarina não podia imaginar que seria palco de um incidente internacional.

Todos que tem cinquenta anos ou mais aqui de SC devem se lembrar das manchetes dos jornais e também matérias de televisão sobre o encalhe desse navio, notícia que chegou até ao Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão.

O encalhe do Malteza S deixou as autoridades do meio ambiente extremamente preocupadas devido à grande quantidade de óleo que ele tinha em seus tanques, somente para se ter uma ideia um tipo de óleo chamado “heavy Fuel Oil” tinha 348 toneladas, de óleo diesel 58,5 toneladas e de óleo lubrificante 30.840 litros.

 A grande preocupação era que essa grande quantidade de óleo viesse a vazar no mar causando um acidente ecológico de grandes proporções ao litoral de belas praias de Laguna e bem como em todo o sul do Brasil. Com isso o Governo do Estado de Santa Catarina através da FATMA então entidade estatal relacionada ao meio ambiente se prontifica a custear a delicada operação de retirada do óleo dos tanques do navio encalhado.

Com o encalhe depois de muito trabalho e negociação entre as autoridades brasileiras e os representantes das seguradoras com o comandante da embarcação que se recusava a permitir vistorias internas alegando leis de direito marítimo internacional, é que se pode ter noção do quanto sucateada e mau cuidada estava a mesma depois de 25 anos navegando por todos os oceanos e mares do mundo.

Revendo documentos da época e também os que foram se juntando aos intermináveis processos jurídicos relacionados ao naufrágio por mais de trinta anos, o autor consegue nos passar as reais causas da recusa do comandante em não permitir o acesso das autoridades ao navio.

Analisando documentos e inquéritos promovidos pela Marinha do Brasil, chegou se a conclusão que não foi acidente e sim um ato de sabotagem para que os proprietários e seus procurados viessem a receber o seguro que no caso da carga era de 1,2 milhão de dólares para a carga de milho e de 25 milhões de dólares pelo casco do navio que já era uma verdadeira sucata.

Várias mortes ocorreram logo após o encalhe nas águas de Laguna, sendo principalmente de pessoas envolvidas com o resgate como no caso de um grupo de quatro mergulhadores que ao entrar nos porões onde estavam estocadas, milhares de toneladas de milho vieram a óbito devido a intoxicação por gases tóxicos provenientes do milho fermentado devido a água ter entrado em seus porões.

Tem também o caso de um pequeno avião que ao fazer um voou rasante se choca com cabos de aço que haviam sido instalados para servir de tirolesa no transporte de produtos do navio para a terra e também levar objetos para o navio. Nesse acidente duas pessoas vieram a óbito.

Os tripulantes depois de alguns dias vieram para a cidade de Laguna, onde foram alocados em hotéis até que sua situação fosse resolvida para poderem retornar aos seus países de origem, que nesse caso eram de várias nacionalidades.

Algum tempo depois do encalhe e também da negativa do comandante do navio em não permitir que as equipes de resgate conseguissem rebocar o navio o que chegou a ser tentado por um rebocador da Marinha do Brasil que foi deslocado de Itajaí para Laguna com essa finalidade, o navio começa a fazer dragado por pelas ondas e também pela areia.

Alguns equipamentos e parte da carga de milho e óleo ainda puderam ser resgatados e foram vendidos através de leilões para minimizar os custos da operação, mas o maior custo ficou mesmo com o Governo de Santa Catarina que não mediu esforços para tentar evitar um desastre ambiental e pelo jeito tiveram um certo sucesso.

Hoje mais de quatro décadas do encalhe ainda se pode ver nas águas da Praia do Gi em Laguna os restos desse navio que estão praticamente soterrados e corroídos pela ação do mar e do próprio tempo.

Deixo aqui como sugestão de leitura esse livro, aos que gostam de assuntos regionais e informo que o mesmo tem várias fotos da época sobre o navio e a operação de resgate e também vários fac símiles de documentos oficiais coletados ao longo de muitas pesquisas.

Paulo Coelho – Florianópolis – SC – 13/02/2021

 


A CAMINHO DO OURO – NORTE AMERICANOS NA ILHA DE SANTA CATARINA

Ontem dia 26 de dezembro de 2020, terminei a leitura do meu 20º livro do ano.

A Caminho do Ouro – Norte Americanos na Ilha de Santa Catarina, edição de 2015 Editora Insular 160p. Autores:  Marli Cristina Scomazzon & Jeff Franco,  ambos jornalistas.

Quem acompanhou as resenhas dos livros lidos nesse ano aqui publicadas pode ver que eu procurei dar uma atenção maior aos textos produzidos sobre a História da Ilha de Santa Catarina (principalmente os livros de Oswaldo Rodrigues Cabral) que mais tarde tornou se Desterro e atualmente é Florianópolis a capital do Estado de Santa Catarina.

O tema desse livro confesso que por mais que eu já tenha lido sobre a cidade me trouxe um tema completamente novo e desconhecido mesmo eu tendo toda curiosidade em pesquisar sobre a História local. A Caminho do Ouro relata a loucura que foi a busca pelo ouro na Califórnia recentemente anexada aos Estados Unidos na guerra contra o México.

Durante os anos de 1848 a 1856 milhares de pessoas se deslocaram para a Califórnia em busca do Ouro recém descoberto e a cobiça fez com que pessoas de todas as classes sociais que possa se imaginar venderam tudo para montar sociedades mineradoras e comprar barcos a qualquer preço e montar uma expedição para o novo Eldorado.

Nesse período as duas costas americanas, ou seja, Leste e Oeste ainda não se comunicavam diretamente e isso fez com que milhares de barcos, saíssem da Costa Leste e descendo o Oceano Atlântico em uma viagem de quase 30 mil quilômetros praticamente três quartos de uma volta a terra para atravessar o temível Cabo Horn na parte mais sul do planeta para pegar o Oceano Pacífico via Valparaíso no Chile e chegar ao Porto de São Francisco na Costa Oeste.

Como Desterro tinha um dos melhores Portos do Sul do Continente americano, com boa água, madeira de fácil acesso e a preços bem mais módicos em ralação aos outros portos principalmente as taxas alfandegárias e a fácil liberação também influíam, para ser Desterro praticamente a última parada para encarar as águas do Pacífico. Alguns barcos chegavam a Desterro em condições tão ruins que ouve caso de barcos que tiveram que ser vendidos em leilão para desmonte porque não tinha mais condições de navegação.

O fluxo migratório foi muito intenso e também um dos mais documentados da história da humanidade, tendo em vista que a viagem era muito longa e os passageiros como não tinham muita coisa a fazer a bordo mantinham por hábito escrever tudo o que ocorria a bordo em seus diários e muitos desses foram recuperados e se encontram e arquivos americanos.

Nesse período São Francisco tinha 459 habitantes enquanto Desterro na parte insular aproximadamente seis mil habitantes e algo em torno de nove mil contando com a área continental e vejam que loucura aconteceu aqui que em um determinado ano chegou a receber perto de setecentos barcos com destino a Califórnia tendo em um único dia sido contado doze barcos atracados nos nossos portos levando em conta Santa Cruz atual Ilha de Anhato Mirim e Desterro propriamente dita.

Toda a rotina da pacata Desterro foi alterada, tendo em vista que chegou a receber 600 americanos que desciam de seus barcos para terra firme no aguardo de reparos e reabastecimento para a viagem que tinham que encarar ainda. Brigas, bebedeiras e arruaças de todos os tipos passaram a ser comuns na cidade dando grande dor de cabeça as autoridades locais inclusive criando editas próprios para os americanos inclusive limitação do número de passageiros que podia deixar o barco de cada vez na maioria 8 pessoas, mas isso não deu muito certo também.

Como não é muito diferente hoje a corrupção de agentes públicos já existia o que fazia que houvesse muito dinheiro entregue por baixo dos panos para liberar a saída ou mesmo comercialização diretamente no barco através de pequenas canoas. O fluxo foi tão intenso que nesse período e até muitos anos depois Desterro tinha um Consulado Americano, claro que os Consulados daquela época eram um pouco diferentes dos atuais, mas não deixava de ser um cargo de destaque.

Aos Consulados cabiam a cobrança de taxas alfandegárias pagas pelos navios que se dirigiam à Califórnia, a manutenção da ordem entre os americanos e até expedir mandados de prisão aos marinheiros desertores de seus barcos.

Vários foram os americanos que ao desertarem optaram por não seguirem viagem e ficando como moradores de Desterro, assim como outros que também trocavam de barco por propostas e ou condições melhores de trabalho.

O cotidiano de Desterro foi profundamente alterado, mas uma das coisas que os americanos mais comentavam era a hospitalidade dos locais, que na maioria das vezes cediam suas residências a preços muito baixos (quando cobravam) para descanso, asseio e refeições. Acredito que esse jeito hospitaleiro de ser ainda se reflete nos dias atuais, tendo em vista o grande número de pessoas que anualmente migram para Florianópolis.

Muito mais informações como religiosidade, escravidão, comércio, política local são tratadas e que merecem nossa atenção.

Vou ficando por aqui e recomendo aos que gostem de história local que procurem e leiam esse livro. Grande abraço à todos.

Paulo Coelho, Florianópolis, SC  -   27/12/2020.

 

O SOLITÁRIO DAS GALÉS


Acabo de ler o meu 18º livro do ano e este ano tem sido diferente em tudo até eu ter voltado a ler com mais frequência hábito esse que desde muito cedo eu procuro praticar.

No livro O Solitário das Galés do Jornalista Raul Caldas Filho, editado em 2006, pela Editora Insular, livro esse que é uma coletânea de diversas entrevistas que o autor fez ao longo de mais de 40 anos de Jornalismo, podemos acompanhar um pouco da história de Santa Catarina e principalmente a história de Florianópolis.

Logo na primeira matéria que por sinal dá nome ao livro O Solitário das Galés, nos é apresentado o senhor Braz João da Silva, que na época da entrevista ele já contava com 62 anos e morando sozinho ao estilo de Robson Crusoé personagem de Daniel Defoe que como náufrago vive longos anos perdido em uma ilha.

Já seu Braz resolve sair da urbanidade de uma vila da cidade de Porto Belo para viver isolado na Ilha das Galés uma pequena ilha sem praia de frente para a Baia de Porto Belo e por lá vive longos anos em seu auto exílio, sobrevivendo de tudo que planta, pesca e colhe. Pode parecer romântico a primeira vista, mas não deve ser fácil dia após dia manter se isolado de tudo e de todos.

Muitos causos são  contados sobre acontecimentos e visitas na ilha, o que não dá para comentar tudo nesse pequeno texto, mas de muita sabedoria para uma pessoa de hábitos e gestos tão simples.

Nas outras entrevistas publicadas nesse livro o autor nos brinda com fatos importantes da história política, cultural, urbanística do Estado e principalmente de Florianópolis. A eterna rivalidade do PSD e UDN, as oligarquias das família Ramos e Bornhausen, os indicados políticos pelo governo militar para ocupar cargos como o de Prefeito da Capital como Esperidião Amim.

Entre os diversos assuntos abordados nas diversas entrevistas publicadas em sua maioria no antigo Jornal O Estado muito me chamou a atenção as pesquisas Arqueológicas do Padre João Alfredo Rohr sobre os primeiros habitantes de Santa Catarina isso ocorrido comprovadamente a milhares de anos. Muitos materiais de valor histórico inestimável foram recolhidos por ele em suas pesquisas nos sítios arqueológicos principalmente Sambaquís pesquisados em Florianópolis e Laguna, local esse que tem apesar de toda a depredação e utilização como material de construção o maior sambaqui do mundo.

Com a chegada do Rádio nos anos cinquenta o jornalismo de Santa Catarina passa a viver um novo momento e principalmente com a Radio Diário da Manhã que em seus momentos áureos chegou a ter mais de cem funcionários e inclusive quatro orquestras para os seus programas de auditório.

 Muitos Jornalistas de renome passaram pelas diversas rádios de Florianópolis e eu vou destacar aqui os irmãos Walter e Adolfo Zigelle, ambos vindos de Joaçaba para trabalhar em Florianópolis a pedido do Ex Governador Jorge Lacerda. Adolfo Zigelle diz que ou confessa que fez um pouco de pressão sensacionalista para que Florianópolis tivesse uma segunda ponte, já que na época ainda a única ligação da ilha com o Continente era a Ponte Hercílio Luz.

A vida social da cidade  era efervescente e os encontros ocorriam principalmente nos bares e botequins que com o tempo foram perdendo espaço para as lanchonetes de Fast Food, bares como o Miramar, o Katicips bar esse que funcionou por mais de sessenta anos e também o Petit que o autor chamou de o último botequim. Não sei se é inerente a profissão de jornalista frequentar bares e butecos, mas muitas pautas e notícias de primeira mão com certeza foram criadas e dadas nas mesas dos bares de Florianópolis.

Outro assunto muito interessante também foi a chegada do carnaval como conhecemos hoje com as escolas de samba e as antigas Grandes Sociedades que faziam os carros de mutação, atividade essa que o meu sogro o Senhor Elpídio de Souza Lopes, falecido esse ano aos 92 anos tanto se orgulhava de ter participado na confecção de carros de carnaval na Tenentes do Diabo e também na Sociedade Carnavalesca  Limoeiro.

Com a criação das Escolas de Samba Florianópolis passa a ser destaque nacional em matéria de carnaval e que segundo Adolfo Zigelli fazia questão de sempre registrar que o carnaval daqui somente deixava a desejar para o de Salvador e o do Rio de Janeiro. Inclusive o músico Luiz Henrique Rosa trouxe para acompanhar o carnaval de Florianópolis no final da década de 1970 a cantora Liza Minelli.

Muito teria o que falar sobre as desavenças polítcas, as empresas comerciais a chegada da televisão a urbanização desenfreada da cidade o progresso ou se é isso que ainda da para dizer com a construção da segunda e da terceira ponte pois a partir daí a especulação imobiliária tomou conta da cidade.

Acredito que a criação da UFSC ou seja, a Universidade Federal de Santa Catarina e a vinda da ELETROSUL para Florianópolis tenham sido os dois principais motivadores para o crescimento da cidade, mesmo sendo uma cidade administrativa passa a ser também uma cidade de comércio forte e grandes eventos.

Aos que se interessaram pelo assunto sugiro a leitura desse livro que tem uma boa dinâmica de leitura pois pode ser lido por assuntos de maior ou menor interesse pessoal já que cada entrevista é um capitulo a parte.

Grande abraço à todos.

Paulo Coelho, Florianópolis,  12 de dezembro de 2020.

 

NÁUFRAGOS, TRAFICANTES E DEGREDADOS

Ontem dia 27 de novembro de 2020, terminei a leitura do meu 17º livro do ano, de Eduardo Bueno   Náufragos, Traficantes e Degredados – As Primeiras Expedições ao Brasil.

Editora Objetiva Coleção Terra Brasilis Volume II ano 1998.

Este livro tem uma abordagem muito interessante por tratar de um período muito pouco conhecido da nossa história que foram as primeiras três décadas seguintes ao “descobrimento” do Brasil. Haja visto que temos relatos de missão espanhola antes da chegada de Cabral ao nordeste brasileiro.

Quando os Europeus aqui chegaram encontraram habitantes um povo guerreiro na maior parte dos locais que atracavam, em algumas tribos ou nações indígenas tinham o hábito da antropofagia ou sejam comiam suas vítimas e não foram poucos os europeus que em algum descuido foram servidos como “almoço ou janta” aos membros das aldeias. Porém também encontraram muitos indígenas ingênuos que acreditavam que aqueles homens os iriam levar para a chamada “Terra de Promissão” e com isso trabalhavam incansavelmente para os europeus.

 Nesse período tudo o que não poderia aconteceu ao nosso recém descoberto país e realmente ficou por muito tempo no esquecimento, servindo somente para pilhagem entre Portugal, Espanha. E tendo a servido de local para degredar pessoas que por algum motivo cometiam algum crime contra a coroa ou seus procuradores.  Inclusive um arrendamento (aluguel) de todo o imenso território foi cedido para procuradores de Banqueiros Florentinos, o que me fez lembrar uma música do nosso grande Raul Seixas que se chama ALUGA-SE que fala em alugar o Brasil e em um belo texto diz o seguinte:

“Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá pra alugar ah ah ah ah

Os estrangeiros eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico tem vista pro mar
A Amazônia é o jardim do quintal
E o dólar dele paga o nosso mingau”.

Nesse período, início do século XVI as grandes nações Portugal e Espanha estavam com seus interesses focados nas especiarias das Índias e sendo assim pouco interessava até então as terras recém descobertas. Com o arrendamento que Dom Manuel rei de Portugal  fez, com um cidadão chamado de Fernão de Loronha que depois passou a ser chamado de Fernando de Noronha o mesmo do nome da ilha hoje pertencente ao estado de Pernambuco, o rei recebia quatro mil Ducados anualmente detalhe pelo preço do Pau Brasil uma riqueza enorme e abundante no enorme território brasileiro bastava dois navios carregados com a madeira para pagar todo o arrendamento.

A escravidão dos indígenas também se tornou uma enorme fonte de receita aos traficantes europeus que os levavam para trabalhos na américa central e futuramente no próprio território para o corte e transporte de Pau Brasil e seu transporte até os locais de embarque.

Durante um século esse sistema de arrendamento e outras pilhagens fizeram com que mais de dois milhões de arvores de Pau Brasil foram cortadas e contrabandeadas para o continente europeu, aonde seriam enviadas para a Holanda para serem processadas em um processo de corte e raspagem por prisioneiros para transformar em pó que seria usado como corante na indústria têxtil principalmente a francesa.

Nesse período foram instaladas as primeiras Feitorias ou locais habitados e fortificados, que mantinham pessoas responsáveis por dar todo o suporte aos navegantes que aqui chegavam em nome do Rei de Portugal normalmente para carregar produtos para o reino e nessas Feitorias também eram deixados prisioneiros degredados para trabalhos forçados.

O Brasil também se tornou o principal roteiro para a conquista de outros territórios, devido a facilidade de aqui chegar proveniente da costa africana e descer em direção ao Rio da Prata. Começavam pelo Cabo de Santo Agostinho, depois se dirigiam ao atual Rio de Janeiro depois Cananéia e posteriormente São Francisco do Sul e Porto dos Patos no entorno da Ilha de Santa Catarina atual Florianópolis.

Interessante ressaltar que o Porto dos Patos (tem esse nome em devido aos habitantes locais os Índios Carijó) foi um porto que raramente foi mencionado em outros livros e ficava na desembocadura do Rio Massiambu, (atual Morro dos Cavalos na Palhoça) e era o principal local de abastecimento de navios que tinham como destino o Rio da Prata e posteriormente a passagem sul para chegar ao Pacífico.

Foi a partir do Porto dos Patos que saiu uma das mais incríveis jornadas já registradas na história do continente sul americano que foi a Epopeia de Aleixo Garcia um dos onze sobreviventes de um naufrágio ocorrido em 1523 na hoje Praia dos Naufragados em Florianópolis, que passou a conviver com os Índios Carijó e ouvindo as lendas de um povo que tinha um Imperador Branco em um lugar em que as montanhas eram cobertas de neve sempre e era um lugar de muita riqueza de ouro e prata.

Aleixo Garcia formou um exército de dois mil homens (Guerreiros Carijó) e se dirigiu em direção a Cananeia hoje no estado de SP para de lá seguir por um caminho chamado de Piabirú até os Andes onde vivia esse povo de tamanha riqueza, e realmente quase dois mil quilômetros depois chegaram e promoveram um ataque não muito bem sucedido, mas mesmo assim um bom número conseguiu voltar para contar a história e trazendo alguns objetos de ouro e prata. Isso fez com que uma nova corrida para conquistar esse reino fosse aberta.

Esse livro é bem denso em informações dos primórdios do nosso país, mostra o total descaso de sua formação social e político administrativa e talvez representa um pouco do que ainda somos hoje, demonstrando o quanto o capital internacional foi e é um divisor de águas em nosso desenvolvimento, traz informações muito importantes sobre o financiamento das diversas empreitadas envolvidas nas navegações durante a descoberta do novo mundo.

Personagens que nos foram apresentados nos livros escolares como Américo Vespúcio, Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral e muitos outros tem suas viagens aqui relatadas, mas por questão de local e espaço preferi não mencionar. Sugiro a leitura desse e dos demais livros que compõem essa coleção que no início do texto eu mencionei, e na medida do possível vou procurar divulgar alguns  dados por aqui.

Florianópolis, 28 de novembro de 2020.

Grande abraço à todos – Paulo Coelho

 


19 de março de 2017

SAINT PATRIC'S DAY DIVERSÃO E BONS NEGÓCIOS

Hoje convido a todos a prestigiarem a festa Saint Patrick's Day no Passeio Pedra Branca na Palhoça-SC, evento esse que conta com apresentações musicais principalmente música Irlandesa e muita cerveja artesanal e comidas variadas todos baseados em pequenos comércios sobre Food Trucks.
Também fiz o convite a partir da minha página sobre pequenos comércios no Facebook conforme link abaixo.
Grande abraço a todos.
Paulo Coelho
Florianópolis - SC 19 de março de 2017

https://www.facebook.com/butiadosamigos/

18 de março de 2017

OPERAÇÃO CARNE FRACA DA PF MOSTRA FRAGILIDADE DE MEGA EMPRESAS ALIMENTÍCIAS

Recentemente o Brasil se tornou o segundo maior produtor mundial de carnes, centenas e pequenos frigoríficos e abatedouros de aves foram simplesmente incorporados por mega empresas que inclusive usando dinheiro do BNDES principalmente a JBS proprietária das marcas Friboi e Seara consolidando um setor que movimenta muitos bilhões de dólares ao ano, estou falando em dólares mesmo porque são também grandes exportadoras de carne para mais de cento e cinquenta países.
Como não ficar incrédulo quando os dois maiores conglomerados do setor JBS e BRF essa controladora da Sadia e Perdigão estão envolvidos nas mais diversas fraudes que vão desde adição de produtos cancerígenos  e adulteração de produtos para maquiar a qualidade inservível do produto como se este fosse de excelente qualidade?
Quantos de nós não fomos nos supermercados e vimos simplesmente uma ou duas opções de carne para comprar tendo em vista o excesso de publicidade e controle do mercado que esses conglomerados impuseram a população, artistas e outras pessoas de grande poder de mídia tornaram se verdadeiros símbolos dessas empresas ao cederem por muitos milhões de reais ou de dólares suas imagens para assegurar que o que eles estavam ofertando tinha sim a tão almejada segurança alimentar.
Mesmo que venham a ser casos isolados e que não é toda a cadeia produtiva do setor do agronegócio que mais fatura no Brasil isso é um caso muito grave e deve de ser apurado e com punições que realmente venham a ser exemplares a começar pelos altos executivos das empresas que foram negligentes ou se beneficiaram diretamente com vultuosos bônus pelos resultados das empresas.
É triste saber que muitos pequenos produtores que abastecem pequenos comércios e açougues tenham sido deixado de lado para  que as logomarcas dessas mega empresas passassem a ser expostas nos nesses comércios, fazendo verdadeiros dumping ao ofertar produtos muito mais baratos e assegurando que o produto realmente é de muita qualidade o que nem sempre foi o que aconteceu.
Impossível não ficar indignado ao saber que funcionários públicos do Ministério da Agricultura simplesmente vendiam certificados falsos para assegurar que carnes praticamente podres fossem declaradas com dentro do padrão exigido pelos órgãos reguladores do governo.
Propinas, para financiar campanhas políticas, e diversas atividades ilícitas eram a tônica dos pagamentos que as empresas faziam  para  levar vantagem e também se manterem como líderes de mercado.
Com isso reforço a minha opinião de sempre que possível usar  produtos regionais, de cooperativas e de pequenos comércio ou propriedades.
Neste texto não vou mostrar imagens para não correr o risco de usar imagem de arquivo que possa prejudicar uma ou outra unidade que venha a estar totalmente dentro das conformidades exigidas.
Grande abraço a todos e que não deixem de consumir os produtos que realmente são de boa procedência, principalmente os de pequenos produtores claro que com as devidas certificações.
Florianópolis, SC 18 de março de 2017.
Paulo Coelho

31 de dezembro de 2016

Feliz 2017

Aos meus amigos e pessoas que por este espaço passaram gostaria de informar que estou modificando este Blog para 2017, com a finalidade de deixá-lo mais prático e dinâmico, terei espaço para textos e assuntos diversificados voltados aos Pequenos Comércios, Comércio Justos, Artesanato Popular e também um Lugar de Memória para que eu e os leitores possamos postar fotos ou textos que ajudem a contar e a preservar a história dos pequenos comércios.
Grande abraço a todos e que tenham grandes motivos para comemorar em 2017.
Paulo Coelho
Florianópolis, SC - 31/12/2016