4 de agosto de 2022

MEMÓRIA DO COMÉRCIO EM FLORIANÓPOLIS

 Espaço de memória de  Loja Dominik no Estreito Florianópolis SC. 

Essa Loja já  funciona a 63 anos desde 1959 e eu acho muito legal mesmo esses espaços de memória do comércio para que as gerações seguintes possam ter ideia de equipamentos utilizados no dia a dia das empresas antes de revolução tecnológica que vivemos hoje.

                                                                 Foto Paulo Coelho 01/08/2022.







 

COMÉRCIOS DURADOUROS EM FLORIANÓPOLIS

 Dois  comércios que representam a longevidade empreendedora de  Florianópolis. 

A Eletrônica Yama e  a Keko Pastelaria. 

Desde muito jovem me encantava em ver o Seu Yama somando as contas em um Ábaco de madeira.

Ao longo dos anos gerações de Florianopolitanos foram convivendo com estas empresas que resistem a modernidade e ainda mantém seus clientes de longas datas.

Paulo Coelho Florianópolis - SC  04/08/2022.



Eletrônica Yama/Keko Pastelaria - Florianópolis - SC Foto: Paulo Coelho

 Juros de 30% com pagamento diário de parcelas.  Anúncio patrocinado no Facebook. 

Agiotagem digital.




Acredito que esse tipo de anúncio deveria ter alguma regulação.

2 de julho de 2022

A MAGIA DOS ALAMBIQUES E SUA CACHAÇA ARTESANAL

 CACHAÇARIA SCHMITZ - SANTA MARIA - ANTONIO CARLOS SC  


Ontem dia 01 de julho de 2022, tive a oportunidade e o grande prazer de fazer uma visita no Alambique da família Schmitz, que vem em atividade desde a década de 1960 e hoje está sendo conduzido pelo neto do fundador Diogo.

Pude ter oportunidade de aprender um pouco dos processos e cuidados para fazer uma cachaça com qualidade, que envolve a compra do melado de cana (já que a propriedade não produz mais a cana), fermentação em enormes Tinas de madeira e depois destilação em alambique aquecido a lenha.

É com muita tristeza que vejo esses saberes e fazeres antigos sendo substituídos por engenhos industriais e equipamentos ultra modernos como aço inox e eletricidade. Gerações inteiras repassaram esses conhecimentos e agora mesmo com um grande índice de divulgação e consumo da cachaça artesanal tendem a desaparecer ou ficar cada vez mais difícil de se encontrar.

O ambiente com o cheiro da cachaça sendo produzida, se torna um encanto e mesmo que não tenhamos vivido isso anteriormente nos remete a um tempo muito distante e dá para imaginar quando isso tudo era feito diretamente nas pequenas propriedades familiares do nosso estado e principalmente na Ilha de Santa Catarina, atual Florianópolis capital do estado de Santa Catarina.

Em meados do século XVIII na atual Florianópolis chegou a ter mais de 200 engenhos que faziam cachaça e alguns também faziam farinha de mandioca tudo movido a força de bois. Com a vinda dos casais Açorianos para Desterro a partir de 1748 essa atividade se intensificou e a cidade por ser o último porto para o Sul do Brasil e também para o Rio da Prata e uma grande quantidade de cachaça e farinha eram produzidos para abastecer os navios que por aqui aportavam.

Atualmente a quantidade de engenhos de cachaça e também de farinha em Florianópolis é muito pequena e não tenho como afirmar agora se chega ou não a pouco mais de uma dezena. A atividade por ser muito trabalhosa não interessou aos jovens que preferiram ir trabalhar em atividades no comércios ou nas inúmeras empresas que aqui existem. 

Quando chega alguma data festiva algumas comunidades apresentam esses saberes e fazeres para a população em geral e isso não quer dizer que não se possa visitar em qualquer época do ano, é que praticamente não tem nenhum tipo de divulgação pelos nossos órgãos públicos que deveriam promover a nossa cultura e tradições de uma forma mais efetiva e não somente em datas específicas.

Eu vim do interior do estada em 1968 e fui criado dentro de uma venda no bairro Prainha em Florianópolis, então por tradição sempre que possível procuro apreciar e divulgar essas atividades de pequenos comércios ou comércios familiares.

Então hoje agradeço ao Diogo da Cachaçaria Schmitz por ter aberto as portas do seu Alambique e ter me passado informações preciosas sobre o processo de fabricação da cachaça e como cliente desse estabelecimento outras visitas ainda farei.

Grande abraço à todos.

Paulo Coelho - Florianópolis - SC - 02/07/2022.













8 de dezembro de 2021

PINHEIRA AINDA UMA AUTÊNTICA VILA DE PESCADORES

 A Praia da Pinheira situada no município de Palhoça - SC, distante a 55 km de Florianópolis capital do estado de Santa Catarina, mesmo com toda a infraestrutura criada ao longo das últimas décadas ainda pode ser vista como uma autêntica vila de pescadores.

Nas primeiras horas de todas as manhãs podemos encontrar um certo vai e vem de pequenos barcos de pesca e botes com peixes prontos para serem vendidos diretamente dos pescadores aos consumidores finais sendo estes turistas ou não.

Eu particularmente conheço esse lugar desde 1990 e desde então sempre procuro fazer inúmeras fotografias desse lugar até porque tenho um imóvel nesta localidade desde então. Acredito que foi um pouco negligenciado por alguns prefeitos por vários anos, mas houveram grandes avanços nas últimas legislaturas em relação a infraestrutura da praia em sí.

É muito comum vermos barcos saindo para os cercos dos lances de Tainha na época da safra deste pescado que ocorre durante os meses de maio a julho de cada ano.

                                            Barcos de pesca Praia da Pinheira Palhoça SC 05/12/21


12 de outubro de 2021

 







A EPOPÉIA AÇÓRICO MADEIRENSE 1748_1756

Em 28 de agosto de 2021, terminei a leitura do meu 12º livro do ano, de Walter Fernando Piazza.

A epopeia Açórico-Madeirense 1747-1758 / Walter F. Piazza, Florianópolis: Ed. da UFSC; Lunardelli, 1992, 490 p.: il.

 

Ao ler esse livro do Historiador catarinense Walter F. Piazza, que teve como base as suas inúmeras pesquisas em arquivos históricos de diversas entidades portuguesas especialmente em Lisboa e na região dos Açores e Ilha da Madeira, bem como em várias instituições militares e civis brasileiras e catarinenses.

 Podemos ter uma ideia bem detalhada sobre o que e como foi realmente a epopéia dos casais açorianos e madeirenses, ao se transferirem para o Brasil e mais especificamente em Desterro (hoje Florianópolis) e seu entorno na Província de Santa Catarina.

Uma das grandes dificuldades de ler este livro foi a questão de ter sido feito uma transcrição literal dos documentos de época com todas as variáveis de grafia que muito posteriormente foram modificadas e não importava se era o rei ou seus súditos que estivessem escrevendo o que nós hoje consideraríamos como erros de grafia naquela época era perfeitamente natural, isso sem contar as abreviações no meio das cartas e também as repetições de documentos pois as vezes o mesmo documento era encontrado em lugares e arquivos diferentes. Tudo isso devido a burocracia portuguesa que informava que os documentos seguiam em vias diferentes.

A partir dos relados de Walter Piazza podemos ter acesso a toda a burocracia portuguesa e todos os seus graus de comando e influências inclusive as autoridades religiosas como Bispos e demais agregados da Igreja Católica que tinha uma certa simbiose com o sistema de governo português tendo em vista esse ser uma monarquia voltada e devota do catolicismo.

Conflitos com a Espanha e temor de perda de parte de suas posses na américa, principalmente na fronteira sul do Brasil, o governo de Portugal, se vê obrigado a tomar dinheiro emprestado “a juros’ de cinco por cento ao ano de capitalistas para então efetuar o que foi uma verdadeira epopéia para a época em questão.

Funcionários das mais diversas hierarquias governamentais e religiosas eram encarregados de fazerem um censo dos casais e com idades bem específica que quisessem se transladar para o Brasil e as ordem eram bem claras e deveriam ser reportadas diretamente a coroa portuguesa em Lisboa para que fosse organizado todo o engenhoso processo para a transferência transatlântica.

A burocracia portuguesa era de tal ordem que os mínimos detalhes eram colocados nos contratos com os “assentistas” assim chamados os transportadores que iriam realizar o transporte marítimo dos casais e seus filhos que assim o fossem permitidos serem transportados e inclusive especificava o quando de comida ou (ração) seria fornecido para cada pessoa maior, adolescente a partir de três anos até quatorze anos e designando que não poderia ser dado e cobrado nada os de até três anos pois estes não estaria sendo custeados pela coroa.

Espaços reservados para mulheres que não poderiam ser acessados por hipótese alguma por outros homens da embarcação exceto seus maridos, um número mínimo de padres a bordo para poder efetuar os ofícios religiosos, quantidade de água a ser distribuída e médico a bordo tudo isso fazia parte dos compromissos que deveriam ser seguidos, para que após a chegada ao destino final fosse efetuado o pagamento ao transportador e até os que morriam no trajeto eram descontados, já que o contrato previa o pagamento por pessoa transportada.

Na segunda metade do século XVIII o Arquipélago dos Açores (formado por nove ilhas) e também a Ilha da Madeira, ambas possessões da coroa portuguesa, passavam por uma explosão demográfica e também vitimados pelo flagelo da fome devido a uma série de eventos climáticos e também outros fenômenos naturais decorrentes da origem vulcânica dessas terras.

Erosão e exaurimento do solo, criaram a condição perfeita para a crise que assolou a região, e região esta que mesmo sendo uma grande potência agrícola, se torna insuficiente para alimentar sua população e ainda pagar os impostos devidos a coroa portuguesa sobre a produção.

Foi então que por convencimento de seus conselheiros Ultramarinos o então Rei de Portugal resolve abrir edital público para transferência de aproximadamente oito mil casais para suas possessões na américa e principalmente em Desterro ao sul do Brasil na Província de Santa Catarina.

Na província de Santa Catarina foi designado o Brigadeiro José da Silva Paes para proporcionar todo o alojamento e distribuição de terras, ferramentas e animais, bem como a alimentação mínima a base de farinha, carne e peixe por um período não inferior a um ano, para que os casais se instalassem da melhor forma. Por mais que isso possa ter sido pretendido jamais foi cumprido na íntegra conforme o edital real previa.

Imaginemos milhares de pessoas que levaram meses para cruzar o Atlântico deixando para trás tudo que tinham e que quando conseguiam vendiam por uma ninharia por acreditar em uma vida melhor chegar a um local completamente desconhecido e repleto de animais, terem que desbravar matas para construir suas residências e roças? Quanta dificuldade devem ter encontrado em Desterro na Ilha de Santa Catarina. Isso tudo ainda levando em conta que muitos dos seus entes queridos não puderam embarcar por estarem fora da idade que o régio edital previa.

Nesse período Desterro carecia de pessoas para completar o povoamento da terra e também para abastecer as necessidades da região e também os navios que seguiam para o Rio da Prata, e a vinda desses casais tinha exatamente esse objetivo.

Com a vinda dos casais de açorianos e madeirenses, para Desterro, comunidades foram criadas ou ampliadas, igrejas erguidas e também como previa o régio edital companhias de milícias destinadas a segurança e a ordem das localidades foram montadas por oficiais que já vieram com essa formação lá de Portugal.

A partir das inúmeras relações de passageiros dos transportadores e também de documentos do governo local podemos ter acesso a alguns nomes que posteriormente se tornaram famílias tradicionais de Florianópolis ou mesmo se não tradicionais por posses ou cargos, mas muito tradicionais nas vilas onde foram inseridas.

Atividades que tiveram um grande incremento com a vinda dos açorianos para desterro foram a fabricação de farinha de mandioca, produto esse que foi usado em substituição ao trigo e outros cereais plantados nas Ilhas dos Açores, fabricação de cachaça a partir da cana de açúcar que por sinal se tornou um dos produtos mais comercializados por Desterro, produção de peixe seco, plantação de frutas e também extração de lenha para abastecer os navios que seguiam para o sul, isso tudo fazia parte da economia local nesse período.

Conforme comento em cada pequeno resumo, que faço dos livros que leio para socializar o seu conteúdo, este espaço se torna pequeno ou inadequado para publicação de detalhes mais aprofundados dos livros, então temos a referência completa logo no início e sugiro aos que tenham interesse no assunto que façam suas pesquisas complementares de acordo com os seus objetivos.

Grande abraço à todos.

 

Paulo Coelho – Administrador/Bacharel e Licenciado em História.

 Florianópolis – SC   12/10 /2021.



19 de setembro de 2021

 FEIRA LIVRE UM ENCANTO DE CORES E SABORES.

Feiras livres são lugares encantadores, onde temos uma explosão de cores e sabores.
Produtos das mais variadas origens normalmente de agricultura familiar nos trazem uma experiência de consumo incrível, eu sou fascinado pelo ambiente das feiras.
Credito esse gosto por esse tipo de comércio as minhas origens camponeses e também por ter sido criado dentro de uma venda onde a venda a granel sempre foi a tônica do comércio do meu PAI.
Estas imagens eu fiz ontem dia 18/09/2021 na feira livre do Largo da Alfândega em Florianópolis - SC.