8 de dezembro de 2021

PINHEIRA AINDA UMA AUTÊNTICA VILA DE PESCADORES

 A Praia da Pinheira situada no município de Palhoça - SC, distante a 55 km de Florianópolis capital do estado de Santa Catarina, mesmo com toda a infraestrutura criada ao longo das últimas décadas ainda pode ser vista como uma autêntica vila de pescadores.

Nas primeiras horas de todas as manhãs podemos encontrar um certo vai e vem de pequenos barcos de pesca e botes com peixes prontos para serem vendidos diretamente dos pescadores aos consumidores finais sendo estes turistas ou não.

Eu particularmente conheço esse lugar desde 1990 e desde então sempre procuro fazer inúmeras fotografias desse lugar até porque tenho um imóvel nesta localidade desde então. Acredito que foi um pouco negligenciado por alguns prefeitos por vários anos, mas houveram grandes avanços nas últimas legislaturas em relação a infraestrutura da praia em sí.

É muito comum vermos barcos saindo para os cercos dos lances de Tainha na época da safra deste pescado que ocorre durante os meses de maio a julho de cada ano.

                                            Barcos de pesca Praia da Pinheira Palhoça SC 05/12/21


12 de outubro de 2021

 







A EPOPÉIA AÇÓRICO MADEIRENSE 1748_1756

Em 28 de agosto de 2021, terminei a leitura do meu 12º livro do ano, de Walter Fernando Piazza.

A epopeia Açórico-Madeirense 1747-1758 / Walter F. Piazza, Florianópolis: Ed. da UFSC; Lunardelli, 1992, 490 p.: il.

 

Ao ler esse livro do Historiador catarinense Walter F. Piazza, que teve como base as suas inúmeras pesquisas em arquivos históricos de diversas entidades portuguesas especialmente em Lisboa e na região dos Açores e Ilha da Madeira, bem como em várias instituições militares e civis brasileiras e catarinenses.

 Podemos ter uma ideia bem detalhada sobre o que e como foi realmente a epopéia dos casais açorianos e madeirenses, ao se transferirem para o Brasil e mais especificamente em Desterro (hoje Florianópolis) e seu entorno na Província de Santa Catarina.

Uma das grandes dificuldades de ler este livro foi a questão de ter sido feito uma transcrição literal dos documentos de época com todas as variáveis de grafia que muito posteriormente foram modificadas e não importava se era o rei ou seus súditos que estivessem escrevendo o que nós hoje consideraríamos como erros de grafia naquela época era perfeitamente natural, isso sem contar as abreviações no meio das cartas e também as repetições de documentos pois as vezes o mesmo documento era encontrado em lugares e arquivos diferentes. Tudo isso devido a burocracia portuguesa que informava que os documentos seguiam em vias diferentes.

A partir dos relados de Walter Piazza podemos ter acesso a toda a burocracia portuguesa e todos os seus graus de comando e influências inclusive as autoridades religiosas como Bispos e demais agregados da Igreja Católica que tinha uma certa simbiose com o sistema de governo português tendo em vista esse ser uma monarquia voltada e devota do catolicismo.

Conflitos com a Espanha e temor de perda de parte de suas posses na américa, principalmente na fronteira sul do Brasil, o governo de Portugal, se vê obrigado a tomar dinheiro emprestado “a juros’ de cinco por cento ao ano de capitalistas para então efetuar o que foi uma verdadeira epopéia para a época em questão.

Funcionários das mais diversas hierarquias governamentais e religiosas eram encarregados de fazerem um censo dos casais e com idades bem específica que quisessem se transladar para o Brasil e as ordem eram bem claras e deveriam ser reportadas diretamente a coroa portuguesa em Lisboa para que fosse organizado todo o engenhoso processo para a transferência transatlântica.

A burocracia portuguesa era de tal ordem que os mínimos detalhes eram colocados nos contratos com os “assentistas” assim chamados os transportadores que iriam realizar o transporte marítimo dos casais e seus filhos que assim o fossem permitidos serem transportados e inclusive especificava o quando de comida ou (ração) seria fornecido para cada pessoa maior, adolescente a partir de três anos até quatorze anos e designando que não poderia ser dado e cobrado nada os de até três anos pois estes não estaria sendo custeados pela coroa.

Espaços reservados para mulheres que não poderiam ser acessados por hipótese alguma por outros homens da embarcação exceto seus maridos, um número mínimo de padres a bordo para poder efetuar os ofícios religiosos, quantidade de água a ser distribuída e médico a bordo tudo isso fazia parte dos compromissos que deveriam ser seguidos, para que após a chegada ao destino final fosse efetuado o pagamento ao transportador e até os que morriam no trajeto eram descontados, já que o contrato previa o pagamento por pessoa transportada.

Na segunda metade do século XVIII o Arquipélago dos Açores (formado por nove ilhas) e também a Ilha da Madeira, ambas possessões da coroa portuguesa, passavam por uma explosão demográfica e também vitimados pelo flagelo da fome devido a uma série de eventos climáticos e também outros fenômenos naturais decorrentes da origem vulcânica dessas terras.

Erosão e exaurimento do solo, criaram a condição perfeita para a crise que assolou a região, e região esta que mesmo sendo uma grande potência agrícola, se torna insuficiente para alimentar sua população e ainda pagar os impostos devidos a coroa portuguesa sobre a produção.

Foi então que por convencimento de seus conselheiros Ultramarinos o então Rei de Portugal resolve abrir edital público para transferência de aproximadamente oito mil casais para suas possessões na américa e principalmente em Desterro ao sul do Brasil na Província de Santa Catarina.

Na província de Santa Catarina foi designado o Brigadeiro José da Silva Paes para proporcionar todo o alojamento e distribuição de terras, ferramentas e animais, bem como a alimentação mínima a base de farinha, carne e peixe por um período não inferior a um ano, para que os casais se instalassem da melhor forma. Por mais que isso possa ter sido pretendido jamais foi cumprido na íntegra conforme o edital real previa.

Imaginemos milhares de pessoas que levaram meses para cruzar o Atlântico deixando para trás tudo que tinham e que quando conseguiam vendiam por uma ninharia por acreditar em uma vida melhor chegar a um local completamente desconhecido e repleto de animais, terem que desbravar matas para construir suas residências e roças? Quanta dificuldade devem ter encontrado em Desterro na Ilha de Santa Catarina. Isso tudo ainda levando em conta que muitos dos seus entes queridos não puderam embarcar por estarem fora da idade que o régio edital previa.

Nesse período Desterro carecia de pessoas para completar o povoamento da terra e também para abastecer as necessidades da região e também os navios que seguiam para o Rio da Prata, e a vinda desses casais tinha exatamente esse objetivo.

Com a vinda dos casais de açorianos e madeirenses, para Desterro, comunidades foram criadas ou ampliadas, igrejas erguidas e também como previa o régio edital companhias de milícias destinadas a segurança e a ordem das localidades foram montadas por oficiais que já vieram com essa formação lá de Portugal.

A partir das inúmeras relações de passageiros dos transportadores e também de documentos do governo local podemos ter acesso a alguns nomes que posteriormente se tornaram famílias tradicionais de Florianópolis ou mesmo se não tradicionais por posses ou cargos, mas muito tradicionais nas vilas onde foram inseridas.

Atividades que tiveram um grande incremento com a vinda dos açorianos para desterro foram a fabricação de farinha de mandioca, produto esse que foi usado em substituição ao trigo e outros cereais plantados nas Ilhas dos Açores, fabricação de cachaça a partir da cana de açúcar que por sinal se tornou um dos produtos mais comercializados por Desterro, produção de peixe seco, plantação de frutas e também extração de lenha para abastecer os navios que seguiam para o sul, isso tudo fazia parte da economia local nesse período.

Conforme comento em cada pequeno resumo, que faço dos livros que leio para socializar o seu conteúdo, este espaço se torna pequeno ou inadequado para publicação de detalhes mais aprofundados dos livros, então temos a referência completa logo no início e sugiro aos que tenham interesse no assunto que façam suas pesquisas complementares de acordo com os seus objetivos.

Grande abraço à todos.

 

Paulo Coelho – Administrador/Bacharel e Licenciado em História.

 Florianópolis – SC   12/10 /2021.



19 de setembro de 2021

 FEIRA LIVRE UM ENCANTO DE CORES E SABORES.

Feiras livres são lugares encantadores, onde temos uma explosão de cores e sabores.
Produtos das mais variadas origens normalmente de agricultura familiar nos trazem uma experiência de consumo incrível, eu sou fascinado pelo ambiente das feiras.
Credito esse gosto por esse tipo de comércio as minhas origens camponeses e também por ter sido criado dentro de uma venda onde a venda a granel sempre foi a tônica do comércio do meu PAI.
Estas imagens eu fiz ontem dia 18/09/2021 na feira livre do Largo da Alfândega em Florianópolis - SC.













24 de julho de 2021

 









APROPRIAÇÃO DA SOCIOBIODIVERSIDADE: DISPUTA PELA PROPRIEDADE INTELECTUAL DOS SABERES INDÍGENAS NAORDEM CONSTITUCIONAL BRASILEIRA

Dia 24 de Julho de 2021, terminei a leitura do meu 11º livro do ano, de Juliano dos Santos Seger.

Apropriação da sociobiodiversidade: disputa pela propriedade intelectual dos saberes indígenas na ordem constitucional brasileira /Juliano dos Santos Seger; Curitiba, PR: Brazil Publishing, 2019 214p.

 

Ao ver esse livro como sugestão de uma editora que eu acompanho nas redes sociais a capa que é linda e o nome do livro logo atraíram a minha atenção, então fui dar uma olhada na resenha da editora até por conhecer pouco sobre o tema e não conhecer o autor.

Escrito por um Advogado, porém com uma pesquisa histórica perfeita sobre os saberes e fazeres dos povos originários que por milênios ocupam o nosso país. Confesso que tive uma certa dificuldade quanto ao linguajar em alguns momentos um tanto quanto juridiquês, e também o vai e vem de capítulos, parágrafos e artigos de leis citados.

Conforme as sociedades vão mudando é normal que as leis e constituições que as regem também acompanhem essas mudanças, mas tem sociedades em que essas mudanças ocorrem de forma diferente tanto tecnologicamente ou temporalmente o que pode trazer grandes problemas para grupos etnicamente menos protegidos pelas leis caso dos Indígenas que basicamente tem os seus saberes e fazeres transmitidos de forma oral por milênios.

O enfoque principal deste livro é exatamente saber como devem ser remunerados os povos tradicionais pelo conhecimento por eles adquiridos e que são indevidamente apropriados desses povos quer seja por aproximação, convívio ou mesmo biopirataria.

Desde o período do Império diversas constituições foram implementadas no Brasil e somente na de 1934 que houve algum tipo de proteção aos povos indígenas e seus conhecimentos adquiridos, mas a constituições que a seguiram, mantiveram alguma proteção e voltaram atrás em outras e somente com a constituição cidadã de 1988 estes povos tiveram os seus direitos preservados.

O Brasil é signatário de vários organismos internacionais que tratam do Meio Ambiente e também de proteção aos povos originários como por exemplo o Protocolo de Nagoya, que veio a partir de uma reunião com 193 países nessa cidade do Japão.

Mesmo assim as diversas leis não são suficientes para garantir que os verdadeiros detentores do conhecimento se beneficiem quando determinadas plantas ou organismos são manipulados por grandes indústrias químicas ou farmacêuticas os transformam em produtos ou medicamentos novos, transformando esse conhecimento em lucros bilionários para essas empresas transnacionais e com grande capacidade de lobby junto aos órgãos reguladores.

Importante ressaltar que a legislação brasileira e também internacional quanto aos direitos autorais tem muitas brechas que inclusive cria dúvidas e processos intermináveis, que poderiam colocar em cheque o direito sobre os conhecimentos ancestrais.

Na década passada o governo brasileiro teve que intervir diplomaticamente junto à organização internacional que cuida da propriedade intelectual e registro de patentes, para que o nome Açaí deixasse de pertencer a uma corporação japonesa que havia registrado a marca desse fruto típico da Floresta Amazônica como sua propriedade o que impedia que os produtores de Açaí ficassem impedidos de comercializar o fruto sem ter que pagar royalties para essa empresa.  

Vários entes federativos e políticos brasileiros nem sempre levaram a sério que esse patrimônio genético de conhecimentos e também de plantas e organismos são na realidade um grande patrimônio do povo brasileiro que pode inclusive valer muito mais que determinados minerais ou outros produtos da cadeia extrativista. Inúmeras foram as concessões fornecidas quer seja por ingenuidade, falta de conhecimento ou mesmo por corrupção.

Na minha opinião todo esse patrimônio cultural, e seus povos detentores do conhecimento dos mesmos devem em primeiro lugar serem remunerados, preservados e assistidos pelos órgãos constitucionalmente designados para essas funções, quer sejam, agências reguladoras, fundações de proteção (FUNAI, IBAMA, ICMBIO), Ministério Público e demais entes, em benefício destes e também do povo brasileiro.

Acredito ser uma tarefa árdua e que entra em conflito com interesses muito grandes de poder e finanças, contra grandes corporações, quer sejam nacionais ou transnacionais, mas vale a pena lutarmos pela preservação desses.

Encerrando o meu comentário sobre o livro, tenho somente a elogiar o trabalho de pesquisa do autor Juliano dos Santos Senger, e sugiro aos que se interessarem pelo assunto que leiam o livro, que como já mencionei é bem polêmico e ainda pode render diversos embates jurídicos em cortes nacionais ou mesmo internacionais.

Grande abraço à todos.

 

Paulo Coelho – Administrador/Bacharel e Licenciado em História.

 Florianópolis – SC    24/07/2021. 



18 de julho de 2021

 

A ORGANIZAÇÃO – A ODEBRECHT E O ESQUEMA DE CORRUPÇÃO QUE CHOCOU O MUNDO

Dia 19 de Junho de 2021, terminei a leitura do meu 10º livro do ano, de Malu Gaspar.

A organização : a Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo / Malu Gaspar – 1ª ed. São Paulo : Companhia das Letras, 2020. 639P.

Ao ler este livro que além do seu enorme volume físico por se tratar de uma obra de quase setecentas páginas, também nos é apresentado um enorme e bem “estruturado” esquema de corrupção que conforme a autora não vem somente de governos recentes e sim a mais de cinquenta anos quando ainda não desfrutávamos de um ambiente democrático tal qual vivemos agora, apesar de alguns fatos presentes tentarem mostrar o contrário.

A jornalista Malu Gaspar fez um trabalho fantástico de pesquisa tanto jornalística quanto histórico sobre a situação de proximidade dos grandes empreiteiros com o poder independentemente de qual viés ideológico e político, quer seja esquerda, direita, centro ou mesmo quando dos militares no poder.

Ao ler a obra da jornalista mergulhamos num emaranhado e complexo sistema de corrupção que nos traz além de centenas de códigos e siglas que deixaria boquiaberto, qualquer membro das maiores máfias e cartéis que já tivemos conhecimento mesmo que por obras de ficção ou real já vista, tal o nível de detalhes para montagem desse esquema.

Uma briga pelo poder e pelo dinheiro mesmo, traça o perfil de empresários, sócios, familiares e advogados, mostrando o quanto essas pessoas são egoístas, excêntricas e determinadas quando o objetivo é obter vantagens indevidas de governos, sim governos independentes de esferas administrativas ou mesmo de fronteiras transnacionais.

A Odebrecht para entrar no “Clube” que era o cartel das grandes empreiteiras que construíram boa parte da infraestrutura nacional tais como: Itaipú Binacional, Brasília, a Transamazônica, vários complexos petroquímicos, imensas pontes como a Rio Niterói, rodovias e uma infinidade de mega obras, teve que pagar um custo muito alto em propinas à diversos agentes políticos desses governos.

Por se tratar de uma corporação familiar todos os problemas e conflitos entre pai e filho isso falando dos últimos Odebrecht em poder de comando total da organização Emílio e seu filho Marcelo que pelo seu elevado grau de egocentrismo era tratado nos corredores da empresa como “príncipe”, pessoa de gênio irascível e de difícil trato extremamente concentrador que o tempo todo tenta superar o pai dentro da empresa.

O Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, órgão este criado especificamente para ter um controle das propinas pagas e a quem elas eram pagas, foi montado com um complexo sistema computacional que além de ser hospedado fora do Brasil ainda usava alta tecnologia de criptografia tornando o praticamente impenetrável.

Neste departamento pouquíssimas pessoas e de estrita confiança de Marcelo Odebrecht tinham acesso aos códigos de acesso e também aos codinomes bem como aos valores pagos parcialmente ou mesmo totais, tendo em vista que alguns pagamentos estavam condicionados a continuação de projetos ou outros objetos e apoios que a organização julgasse essencial para sua sobrevivência.

 

Os volumes de recursos normalmente muito altos eram disponibilizados das mais variadas formas que iam de entrega em espécie a transferências bancárias nacionais ou internacionais e poderiam ser destinados à pessoas físicas, jurídicas, partidos políticos e seus diretórios e também à advogados designados para esse fim.

E como cada diretor, gerente ou advogado era responsável por determinado ente público ou privado para entregar a propina os demais não tinham muito conhecimento se todo o dinheiro pedido e sacado era realmente entregue ao destinatário, causando acusações sobre apropriação indébita de propina alheia ou, seja, o cara pedia um valor para dar a alguém e ficava com uma parte em suas contas ou investimentos particulares.

O volume de dinheiro criou proporções tão grandes que bancos tiveram que serem comprados no exterior diga-se paraísos fiscais para efetuarem os depósitos e transferências normalmente vindos de empresas offshores criadas pela Odebrecht em diversos destes paraísos fiscais onde eram efetuadas várias transações até chegar ao destinatário final. Procedimento esse destinado a ocultar a origem do dinheiro.

Com o advento da Operação Lava Jato promovida pela Justiça Federal e o Ministério Público Federal do Paraná, o castelo da organização e de outras grandes companhias empreiteiras, começa a ruir e entra em ação outros grupos que passam a dar enorme dor de cabeça aos dirigentes destas e estes grupos são Juízes, mais especificamente Sergio Moro e um grupo de Procuradores do MPF (que também eram bem ambiciosos), designados para tratar de investigar mecanismos de corrupção montados dentro das empreiteiras e principalmente as que tinham contratos com a Petrobrás.

Com os processos movidos pela Lava Jato aos empreiteiros, vieram a tona as Delações Premiadas ou Acordos de Leniência, onde os réus além de colaborar com a justiça informando todos os processos de corrupção ou à quem o dinheiro era repassado, também multas vultuosas eram impostas as empresas ou aos delatores. No caso da Odebrecht as multas foram pagas diretamente pela empresa e com isso além de perder contratos bilionários com governos no Brasil e também no exterior ainda tinha que tirar dinheiro do caixa para pagar essas multas.

Voltando aos dois Odebrecht citados anteriormente Emílio e Marcelo, podemos ver brigas homéricas que extrapolaram o ambiente da empresa, passando pelo ambiente familiar com cenas inimagináveis como o bloqueio de cartões de crédito das filhas e de pagamento de despesas domésticas na casa de Marcelo. Mesmo ficando preso por mais de três anos na Polícia Federal de Curitiba, Marcelo não se dá por vencido e tenta manter o controle da companhia e de seus diretores e advogados.

Durante o período de prisão de Marcelo Odebrecht, este por ser extremamente metódico escreve mais de sete mil páginas de caderno todas numeradas como se fosse um diário e também uma forma de enviar aos seus familiares e subalternos na organização de que mesmo preso ele ainda era a pessoa quem mandava ou tentava mandar em todos.

Com o passar das décadas de operação com governos dos mais variados níveis a Odebrecht se torna uma das maiores companhias do Brasil e com grande respaldo mundial, tendo ações na Bolsa de Nova Iorque e fácil acesso a financiamentos internacionais, porém a principal fonte de recursos para o seu financiamento eram mesmo os bancos públicos brasileiros diga-se BNDES, Bando do Brasil e Caixa Econômica Federal e alguns bancos regionais.

Estas operações normalmente foram efetuadas por interferência política e isso independia de qual ideologia estivesse no governo, tendo em vista que a organização procurava manter contato muito próximo aos governos, claro que em função da Lava Jato a organização acabou sendo relacionada diretamente aos últimos governos do PT, mas fica muito claro e com os devidos nomes que conforme já falado acima não importava quem era o governo e sim quem era o contato forte no governo.

Como o espaço aqui não é o mais adequado para textos muito longos, vou informar que após entrar em Recuperação Judicial a Odebrecht hoje tem menos de um quinto dos funcionários que já teve, um faturamento infinitamente menor e ainda em 18 de dezembro de 2020, mudou de nome ou de Razão Social para Novonor ou algo como uma combinação de letras sendo Novo Norte.

Também fiz várias buscas na internet, na tentativa de verificar se algum dos citados desde o início dos anos 1970 procurou processar a Jornalista Malu Gaspar por difamação ou calúnia e não encontrei nada, então acredito que a sua pesquisa tenha sido realmente em bases bem sólidas quere sejam documentais ou de depoimentos de alguns entes citados no livro.

Recomendo a todos os que puderem e tiverem interesse sobre o assunto que leiam o livro desta jornalista.

Grande abraço à todos.

 

Paulo Coelho – Administrador/Bacharel e Licenciado em História.

 Florianópolis – SC    18/07/2021.



19 de abril de 2021

 



AS DEFESAS DA ILHA DE SANTA CATARINA NO BRASIL COLÔNIA

Dia 06 de abril de 2021, terminei a leitura do meu 8º livro do ano, de Oswaldo Rodrigues Cabral.

AS DEFESAS DA ILHA DE SANTA CATARINA NO BRASIL COLÔNIA/ Oswaldo Rodrigues Cabral Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional/Conselho Federal de Cultura, 1972. p. 136. Il.

Este livro é um documento de grande valor histórico para todos os que se interessam sobre a história e vida na Ilha de Santa Catarina no período logo após a vinda dos colonos açorianos para cá provenientes de um processo de colonização organizado pela Coroa Portuguesa.

Antes de contar a história do livro propriamente dita, vou contar outra muito legal de como esse livro chegou até as minhas mãos para que eu possa enfim escrever sobre ele.

Como residente em Florianópolis, tenho uma certa dificuldade de encontrar no nosso mercado de Sebos ou livros usados uma boa variedade de livros sobre a história da Ilha de Santa Catariana, tema esse que tenho procurado ler e pesquisar com maior frequência e com isso acabo tendo que procurar nos meios de venda online da internet e nesse caso a Estante Virtual que é um grande HUB ou agregador de quase três mil Sebos do Brasil inteiro tem facilitado muito diversas aquisições.

Quando da última compra que este livro fazia parte, a minha surpresa foi grande, tendo em vista que o mesmo me foi enviado por um Sebo da minha cidade, mais especificamente do Bairro dos Ingleses chamado “O Escambau” termo bem utilizado no linguajar local, e para minha total felicidade consegui saber quem foi o proprietário anterior e ainda veio com algumas surpresas internas.

O livro pertenceu a um senhor que carimbava em tinta verde diversas páginas do livro para que o mesmo ao cair em alguma mão pudesse retornar ao seu dono e no carimbo assim estava “Dr. Luiz Calderan Beltrão” residente na Av. Trompowsky, um dos endereços bem nobres de Florianópolis, não preciso informar mais detalhes do ilustre proprietário do livro, quanto a sua residência.

Outra coisa que me surpreendeu completamente foi que este senhor era muito zeloso pela história e com grande conhecimento também devido as algumas correções que estão no livro, mas surpresa mesmo foi que o livro veio recheado de recortes de jornais e um inclusive é uma página inteira do jornal Diário Catarinense datado de 15 de junho de 1992, onde tem uma foto bem grande da Fortaleza de Anhatomirim quando as reformas estavam sendo concluídas  para abertura ao público e no seu verso uma página sobre o relatório que se estava montando referente a ECO/92 reunião da ONU sobre o clima ocorrida na cidade do Rio de Janeiro no mesmo ano. Também tem vários recortes de jornais de datas diversas que mostram o grau de ruínas em que as fortalezas se encontravam antes da sua recuperação pela UFSC.

Voltando ao livro propriamente dito, desde os primeiros anos que os portugueses puseram os pés no Brasil isso no início do século XVI, a Ilha de Santa Catarina, antiga Ilha dos Patos, que depois se tornou Desterro e atualmente é Florianópolis a capital do Estado de Santa Catarina, que esse lugar de belezas sem iguais e também um dos melhores portos naturais do sul do Brasil, é objeto de interesse tanto da Coroa Portuguesa como também de outras nações devido ao seu caráter estratégico.

Como a Ilha de Santa Catarina era o último porto natural dos navios que rumavam para a região do Prata e também para o Pacífico e ainda tinha muita madeira para fornecimento de lenha aos navios bem como madeiras nobres para consertar naves danificadas e também para exportação e água em abundância bem como frutas e verduras de muitas espécies este local se torna ponto de parada obrigatória para todos que tinham o sul como destino que seja a Província de São Pedro do Rio Grande ou a região do Prata.

Em 1737 a Coroa Portuguesa atendendo a pedido do Governador do Rio de Janeiro com a finalidade de resguardar em segurança toda a costa sul do Brasil inclusive fortificar a Ilha de Santa Catarina que à este estava subordinada, e determina que sejam construídas fortalezas para proteção e controle deste lugar conforme já mencionado é estratégico para Portugal.

No ano de 1738 o Brigadeiro José da Silva Paes então é designado por Carta Régia do Rei D. João V, para construir quatro fortalezas com a finalidade de proteger a Ilha de Santa Catarina, principalmente dos espanhóis.

Então são idealizadas três fortalezas na região norte da ilha e uma ao sul da mesma, as três formariam uma espécie de triângulo de fogo de acordo com suas posições que segundo o seu idealizador teriam a condição de por meio de fogos cruzados interceptar qualquer navio que tentasse entrar por essa via marítima e muito próximas da cidade do Desterro e a do sul teria a finalidade de conter invasão que por essa via pudesse tentar ingressar.

E assim em 1739 as fortalezas começam a serem erguidas começando pela de Santa Cruz na ilha de Anhatomirim a maior de todas, a de Santo Antônio na ilha de Ratones (Raton grande) e também a de São José da Ponta Grossa essa em terra firme na Ilha de Santa Catarina e a da Barra do Sul.

Além das fortalezas acima citadas que realmente eram as maiores e também as melhores equipadas em poder de fogo e ainda foram criados, mais quatro fortes no trecho que hoje entendemos por Beiramar Norte que começavam no Forte de Santana e vinham até aonde próximo a atual Praça Nereu Ramos (Hotel Magestic). Com isso podemos imaginar o quanto a Ilha de Santa Catarina era militarizada tendo uma grande quantidade de militares envolvidos na sua segurança e também outras atividades administrativas.

Cada fortaleza funcionava com corpo de tropa, governador capelão e demais oficiais de forma autônoma, independentemente de receberem ou não seus vencimentos que por vezes chegava a fica até seis a oito anos atrasados e os soldados praticamente vestindo trapos como fardamento e completamente mal municiados.

Anos mais tarde foram identificados vários erros no projeto de construção das fortalezas, se chegou a conclusão que elas não poderiam atender as finalidades de proteção a que o Rei de Portugal acreditava ter feito ao construir essas obras. Pelo tipo de armamento os fogos jamais poderiam se cruzar para realmente funcionar como um triângulo de fogo, ou seja, praticamente serviam para atirar balas ao mar pois não chegariam a qualquer navio que adentrasse pelo lado norte.

A 20 de fevereiro do ano de 1777 os espanhóis sabendo dessas deficiências invadem a Ilha de Santa Catarina por Canasvieiras, fazendo que essa se rendesse sem que fossa dado um único tiro, e inclusive o comandante de duas das três fortalezas literalmente garraram o mato vindo a se render dias depois. Os espanhóis, ficam de posse de Desterro por aproximadamente um ano até que os reinos de Portugal e Espanha resolvem um comum acordo se pacificarem.

As atividades militares na Ilha de Santa Catarina sempre foram levadas ao extremo pois conforme promessa feita aos colonos que foram enviados das Ilhas dos Açores esses não poderiam ser convocados para ou alistados para o serviço militar, fato esse que os diversos Governadores de Desterro frequentemente convocavam compulsoriamente estes para servirem nas tropas dos quarteis dentro das fortalezas e também nas áreas urbanas.

A convocação era de forma vitalícia sendo impossível a sua baixa a menos que os soldados estivessem muito velhos ou estropiados de alguma guerra que eles participassem normalmente no sul do Brasil ou muito doentes e na maioria das vezes ainda tinham que indicar um parente ou amigo para ficar no seu lugar.

As tropas dos quartéis eram divididas em três grupos conforme o grau de influência dos cidadãos que vinham a ser, O Regimento de Linha, De Milícias e As Ordenanças cada um desses grupos com suas hierarquias e postos militares divididos em alguns que hoje nem usamos mais como um dos mais importantes abaixo do Comandante que era o Sargento Mór.

O livro é muito bem escrito apresentando uma grande quantidade de mapas e planilhas com inventários de todos os equipamentos, munições de diversos calibres e contingentes de cada uma das fortalezas ou pequenos fortes bem como os nomes dos comandantes e o tipo de vestimenta das tropas da época.

Como esse espaço é relativamente limitado vou encerrando por aqui e sugiro a leitura desse livro aos que se interessam pela História da Ilha de Santa Catarina ou da História militar da Ilha de Santa Catarina na Desterro dos séculos XVIII e XIX.

Grande abraço à todos.

 

Paulo Coelho – Administrador/Bacharel e Licenciado em História.

 Florianópolis – SC     19/04/2021






29 de março de 2021

 



ARCA AÇORIANA

Dia 17 de março de 2021, terminei a leitura do meu 7º livro do ano, de Almiro Caldeira de Andrade

 ARCA AÇORIANA / Almiro Caldeira de Andrade. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1984. p. 154

Este livro é um romance de ficção que faz parte de uma trilogia chamada ROCAMARANHA (não tive acesso aos dois anteriores), que além de narrar a saga da travessia do Atlântico pelos imigrantes açorianos, é ambientado em Desterro atual Florianópolis capital do Estado de Santa Catarina no ano de 1777, quando a ainda provinciana cidade de Desterro foi invadida e ocupada pelos espanhóis por cerca de um ano.

O início da história se dá em um momento que uma avó, conta para sua neta sobre uns segredos guardados por gerações em uma Arca da sua bisavó onde tinham objetos e documentos que por muito tempo pertenceram a família e eram desconhecidos de muita gente.

Por tratar se de um romance, mesmo sendo ambientado em local e tempo histórico adequado, ou seja, a Ilha de Santa Catarina ou Desterro da época é o local em destaque. Se pode notar toda uma licença poética do escritor tanto nos modos de vida e convívio bem como o jeito que os sentimentos e amores são relatados, o que vem a ser um pouco diferente da forma que vemos os descendentes de açorianos que hoje temos contato, bem como o que ouvimos sobre seus ancestrais.

Normalmente o perfil do açoriano em seu seio doméstico nos é apresentado como uma pessoa, mais introspectiva e recatada principalmente em relação à estranhos e isso muda tudo quando os personagens com seus dramas, sonhos e intrigas são apresentados.

Na Desterro de 1777 o modo de vida mesmo com a vinda dos primeiros colonos vindo do Arquipélago dos Açores a partir de 1748 por projeto de emigração da Coroa Portuguesa, ainda é completamente típico de vila praticamente esquecida onde a simples mudança de um bairro para outro, era normalmente tratada como viagem, devido a precariedade de suas estradas, tendo em vista que boa parte do transporte ainda se fazia por via marítima através de canoas. O que não a impedia de ter a sua importância.

A Ilha de Santa Catarina ou Desterro, por ser o melhor e o último porto onde os navios que seguiam para a região do Rio da Prata, sempre foi um local de parada para reabastecimento com água fresca, e carne das mais diversas, farinha, aguardente, madeiras em forma de lenha principalmente. E com isso utilizada como projeto de livrar parte da população das Ilhas dos Açores em Portugal da fome em um processo de colonização.

Neste período a posse da terra aos colonos, ainda era uma concessão do reino aos que para cá se deslocaram, por titularidades chamadas de Sesmarias, ou seja, uma quantidade de terra que delimitava todo o espaço que cada família ou grupo familiar poderiam ocupar de forma legal devendo lealdade a Coroa Portuguesa.

Tal como hoje ainda é comum várias pessoas da mesma família se instalarem dentro desse mesmo lote de terra e construírem casas e plantarem suas roças onde começavam a produzir para sí, conforme a condição civil ia mudando (casamentos) e a família aumentando.

O autor faz uma referência bem humorada de como a Imagem de Nosso Senhor Jesus dos Passos acabou por permanecer em Desterro tendo em vista que o destino final da Imagem seria Porto Alegre, ou São Pedro do Rio Grande como assim era conhecida a capital da província ao sul de Santa Catarina.

Informa que um grupo de marinheiros chamou um padre para “benzer” o barco que conduzia a imagem já que depois de três tentativas de levantar velas, o mar ficava revolto não dando condições de seguir viagem isso tudo sempre com escárnio do próprio Capitão do barco. Após acertar o valor da indenização sobre o valor da imagem o santo ficou aqui e o barco seguiu.

Voltando a conversa inicial da avó com a neta, é informado que a bisavó se apaixonou por um rapaz local e que por uma desavença dos dois em relação a um oficial espanhol que este acreditava que ela teve algo com o dito oficial fazendo com que passassem um bom tempo distanciados um do outro. Fato esse somente resolvido quando da morte desse oficial em uma disputa com um outro pretendente da moça.  Logo depois retomam suas vidas na família inclusive construindo casa e plantando junto das terras, que por doação real a eles pertenciam, e não sendo entregues aos oficiais espanhóis por resistência a durante a ocupação da Ilha no ano de 1777 inclusive correndo o risco de confiscos das mesmas e morte por traição ao reino de Espanha.

Algumas escaramuças entre os invasores, e alguns insurgentes locais ocorrem o que deixa as famílias dos envolvidos em estado de alerta constante com medo de perderem suas terras sob forma de confisco pelos representantes dos Reino da Espanha.

Muito bem representado toda a estrutura administrativa, social, de trabalho e também a indignação dos que não concordavam em prestar vassalagem (mesmo correndo o risco de perderem suas terras) ao reino da Espanha, na Desterro ocupada de 1777 o que durou aproximadamente um ano, quando os dois reinos então fizeram acordo sobre as demarcações e limites a serem explorados por cada uma das coroas em sua zona de influência.

O livro termina com uma conversa de uma descendente muito distante dos personagens que foram o centro de toda a obra sendo apresentados a uns documentos e objetos que por muitas gerações ficaram esquecidos em uma arca que data do tempo da vinda dos primeiros imigrantes açorianos que em Desterro chegaram.

Por ser um romance ficcional, mesmo trazendo a luz fatos, nomes e personalidades eu preferi fazer esse comentário não levando em conta todos os documentos históricos que são de conhecimento sobre a falha nas defesas da Ilha de Santa Catarina o que veio a permitir a sua invasão, a partir, de Canasvieiras pelos espanhóis.

Mesmo sendo uma obra de ficção, achei a ambientação territorial, e das pessoas bem como seus costumes, crenças, trajes, e animais domésticos bem adequados para contar uma história diferente sobre Desterro.

 Grande abraços à todos.

 

Paulo Coelho – Administrador/Bacharel e Licenciado em História.

 Florianópolis – SC     27/03/2021.