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24 de março de 2021

 


FEIRAS LIVRES ACOMPANHANDO A HUMANIDADE – (Paulo Coelho)

 

Se tem um tema relativo ao comercio, que envolve os humanos por milênios e me fascina muito inclusive é citado na Bíblia e em praticamente em todas as culturas são as feiras livres, local esse que ao longo dos tempos serviu de ambiente para as sociabilidades, e também recebimento de notícias.

A feira livre abre a oportunidade para que os pequenos comerciantes que não tenham um comércio estático e de portas abertas com horário para abrir e fechar, possam trazer seus produtos e montarem as suas barracas praticamente em “qualquer” lugar. Isso não quer dizer que as feiras livres sejam uma terra de ninguém tendo em vista que atualmente todas as feiras são reguladas pelas municipalidades.

O ambiente normalmente em espaço aberto e onde os feirantes se confinam em pequenos locais nas suas barracas as vezes ocupado por vários integrantes da mesma família, permite que os mesmos tenham técnicas próprias de divulgação e apregoam os seus produtos de acordo com as qualidades e também seus possíveis usos.

Ir à feira ou fazer a feira é encontro com nossas raízes mais ancestrais, desde os períodos mais remotos onde o escambo era, a moeda corrente, ou seja, a troca também foi utilizada como meio de comércio e dava a tônica aos comércios nas feiras livres também.

Hoje muitas das feiras livres, estão um tanto quanto modernizadas e não vendem somente produtos de origem rural e camponesa como antigamente, são verdadeiras “delicatessen” ou seja, locais de venda de produtos mais sofisticados destinados a um público bem específico. E hoje em várias barracas praticamente não temos mais o uso da moeda ou dinheiro vivo como forma de pagamento e sim cartões de crédito ou débito em suas mais variadas forma de uso.

Mesmo com a evolução dos supermercados, e o comércio por meio eletrônico com delliveri, ainda é crescente o número de comunidades mesmo que em grandes centros urbanos e próximos a bairros ditos como “nobres” as feiras livres se fazem presentes, até pelo nível de personalização que elas permitem. Com esse sistema o cliente não fica restrito as embalagens e quantidades pré - ofertadas pelos grandes mercados e tem sempre produtos frescos e na quantidade que bem desejarem.

A minha origem camponesa e também de filho de pequeno comerciante me permite conversar com os leitores sobre o assunto tendo em vista que um pequeno comércio que o meu PAI criou a mais de 50 anos e local esse que serviu para todo o sustento dos seus seis filhos, até hoje ainda se mantém aberto sendo conduzido por um irmão que não seguiu a carreira de trabalhador em empresas ou de governos.

Grande abraço à todos.

Paulo Coelho – Administrador e Bacharel e Licenciado em História.

Florianópolis – SC 24/03/2021


                                           Foto Paulo Coelho março/2021




                                            Foto Paulo Coelho março/2021

                                                      Foto Paulo Coelho março/2021

21 de abril de 2016

O TRISTE FIM DE UM SONHO DE PEQUENOS EMPREENDEDORES

Por quase 20 anos o Camelódromo Centro Sul foi um local de comércio, onde aproximadamente 150 microempreendedores mantinham suas atividades comerciais quer seja famílias trabalhando ou empregando vagas de trabalho.
Este Camelódromo que no momento está sendo desmontado está situado em uma área de acréscimo da União proveniente do aterro realizado na década de 1970 para a construção da segunda ponte que liga o centro de Florianópolis ao continente, (a Ponte Colombo Machado Salles foi inaugurada em 08 de março de 1975).
Vendo notícias em jornais locais vejo que a Prefeitura de Florianópolis em primeiro momento vai pedir o lugar para fazer um estacionamento gerido pela Comcap, o que ao meu ver é um grande equívoco pois simplesmente não fez nada para preservar praticamente 150 pequenos comércios.
                                                                           Camelódromo Centro Sul Foto> Paulo Coelho
Como pode simplesmente fechar um lugar desses assim como já fizeram com o Direto do Campo que funcionava ao lado e foi demolido em função da mesma solicitação por parte da União da área que tem mais de 32 mil metros quadrados em uma área nobre da cidade?
Qual o destino que vão dar à este lugar, para onde vão todos esses pequenos comércios? Será que toda essa gente vai passar a ser vendedor ambulante nas ruas de Florianópolis sempre preocupados com a fiscalização que a todo momento intervém e muitas vezes até apreendendo os produtos que são ofertados?
                                                             Camelódromo Centro Sul Foto> Paulo Coelho
Realmente é muito triste ver simplesmente vários sonhos serem desfeitos simplesmente porque a União solicitou a área depois de quase vinte anos estabelecidos. Confesso que realmente fiquei muito triste ao passar na frente e ver todo o processo de demolição desse espaço de comércio popular.
Para o nosso prefeito é muito fácil tentar trazer mega projetos para a cidade alegando a vocação turística de Florianópolis, claro que as construtoras devem de ser boas doadoras de campanha e ele deve de privilegiar quem o ajuda a manter em evidência.
Concordo que deve de ser disciplinado os espaços públicos evitando descaracterizações e degradações de áreas que poderiam ser de convívio mútuo. Todo esse espaço fazia parte de um grande projeto de urbanização que foi realizado na década de 1980 e inclusivo foi realizado por um dos maiores paisagistas que tivemos ou seja Roberto Burle Marx e depois foi sendo desmontado para fazer o Ticem e outras obras.
Mas se o espaço já estava ocupado porque não fazer uma integração entre centro popular de consumo com espaço de lazer para toda a comunidade ao invés de desmanchar, reurbanizar e inclusive acrescentar novos pontos de produtos artesanais locais e regionais. Por ser uma área bem grande poderia ser dado um destino mais humana para o local integrando vários setores da cidade, social, convívio e comércio. 
Agora solicitar a área para estacionamento é simplesmente favorecer ainda mais o uso do carro na cidade e dar um certo reforço ao caixa da Comcap que está quebrada financeiramente e a prefeitura não está muito preocupada com isso tendo em vista as várias greves que os funcionários desta empresa tem realizado, (para quem não conhece a Comcap é a empresa responsável pelo recolhimento de lixo e limpeza da cidade).
Na foto abaixo feita pela Associação do Camelódromo Centro Sul para divulgação podemos ver este espaço funcionando plenamente, gerando renda familiar e mantendo o sonho de vários pequenos empreendedores que ali estavam instalados.
Camelódromo Centro Sul foto> Associação Camelódromo Centro Sul
Para encerrar vou deixar aqui o meu protesto, quanto a demolição do Camelódromo Centro Sul, já que sou simpatizante a causa dos pequenos comércios inclusive recentemente fiz um TCC em História sobre o assunto, 
                                                            Camelódromo Centro Sul Foto> Paulo Coelho






20 de fevereiro de 2016

MARKETING DE EXPOSIÇÃO COMO OS PEQUENOS COMÉRCIOS ANUNCIAM

Hoje 20 de fevereiro de 2016 circulei por Florianópolis, mais especificamente no entorno da Alfândega e Mercado Público e olhando mais atentamente pude observar que os pequenos comércios, feiras livres e lojas de artesanato tem uma forma bem peculiar de expor seus produtos.
Longe dos nichos arrumadinhos dos Shoppings Centers estes comércios apresentam os seus produtos de forma sobrepostas, ou pendurados mesmo o que torna uma forma diferente que pode parecer até caótica mas cria um ar de informalidade e nostalgia como eram vendidos  e apresentados os produtos nas vendas de nossa infância.
Com formas bem específicas de anunciar os pequenos comércios acabam criando um cenário multicolorido e de fácil visualização dos produtos facilitando a escolha pelo cliente.







Fotos Paulo Coelho e Sandra Coelho: Feira livre, loja de artesanato e produtos de limpeza no centro de Florianópolis.

Nas fotos acima procuro dar um pequeno exemplo de exposição de produtos e acredito que eles mesmo parecendo "bagunçados" acabam criando um belo visual nos estabelecimentos comerciais.
Florianópolis 20/02/2016

Grande abraço a todos.  Paulo Coelho




25 de julho de 2015

FEIRA LIVRE OU SIMPLESMENTE FAZER A FEIRA

O tema que vou comentar hoje neste espaço são as feiras livres que durante séculos vem sendo um lugar de sociabilidade e de comércio, acredito que se tiver são muito poucas cidades no mundo que não  tenham alguma feira livre. Nas feiras podemos comprar uma grande variedade de produtos para as nossas mais diversas necessidades, mas as mais comuns são as voltadas aos gêneros alimentícios principalmente frutas e derivados de carne e também as voltadas ao artesanato de origem manual mas tem também aquelas que simplesmente revendem produtos manufaturados industrialmente.
Ir a feira é um ato de resistência as imposições do comércio com suas evoluções e tecnologias e regimes de embalagens sofisticadas pois na feira você compra somente a quantidade que quer do produto e pode voltar quase que todo dia ou toda a semana conforme seus hábitos de consumo.
Na feira vemos produtos expostos e vendidos a granel, como a quantidade que o feirante consegue trazer e devido a variedade de produtos à ser ofertado as vezes é grande então acabamos comprando produtos com uma boa qualidade e como diria a maioria das donas de casa que vão a feira são sempre "fresquinhos" e sem contar que alguns produtos somente encontramos na feira.
Hoje muitas feiras alocadas em centros urbanos perderam um pouco das características que em diversos livros são relatadas desde a idade média ou mais antigo ainda, conforme a linha de produtos oferecidos como derivados de carne já são obrigatórios balcões refrigerados para manter a qualidade sanitária desses produtos mas nem sempre foi assim.
Não mais que um século atrás em Paris ainda se comprava carne na feira embrulhada em jornal assim como hoje ainda é feito com o peixe e outros produtos laváveis. O feirante deve de cumprir com todas as regras que a municipalidade ou qualquer outro órgão regulador venha a exigir mas mesmo assim vai continuar sendo um negociante que por mais que a sociedade mude, ele vai ofertar produtos com qualidade mantendo uma tradição do comércio ao longo da história da humanidade.
Hoje mesmo dia 25 de julho de 2015 em pleno século XXI, quando fui a feira ainda estava observando a forma como são distribuídos os produtos nas mais diversas barracas que são permitidas pela Prefeitura Municipal de Florianópolis no Largo da Alfandega, e realmente é um encanto para os olhos pois as cores sobrepostas formam um conjunto simplesmente lindo de se ver.
Culturalmente as feiras são bens imateriais das cidades onde elas são montadas pois servem de referência geográfica, referência histórica e também demonstram que essa atividade pode conviver e bem com grandes redes mercadistas ou comércio eletrônico onde as entregas são efetuadas por deliveri ou seja compra pela internet e recebe em casa o produto. Mesmo com todas essas facilidades como explicar a resistência e preferência pelas feiras ainda?


                                                                           Fotos abaixo Feira em Florianópolis - SC 25/07/2015 Fotos Paulo Coelho






Sempre que possível dê preferência á esse tipo de comércio pois assim além de continuar uma tradição da nossa sociedade ainda estamos garantindo que inúmeros pequenos produtores tenham condições de se manterem no campo produzindo os principais itens que serão comercializados nas feiras e isso gera um círculo vicioso do bem para as comunidades ao qual estes estão inseridos.